O celular tocou, ela atendeu e Ele perguntou sua posição para ir encontrá-la pois já aguardava há algum tempo no local marcado.
Após dizer direitinho o lugar ela parou, não precisava mais correr, e logo depois um carro estacionou junto ao meio fio da calçada onde estava. A janela da direita foi aberta e ela arriscou abaixar-se e olhar para dentro. O primeiro impulso foi correr. Aquele garoto não podia ser o Dom com quem estivera conversando!!! O rosto era o mesmo mas nas fotos e na webcam Ele não parecia tão jovem. Dissera ter trinta e quatro anos mas tinha, no mínimo, dez anos a menos. E tão bonito que fez todos os complexos dela saltarem como dragões na sua frente.
"É, vale a corrida" - pensou... E encarou a extensão da avenida à sua frente, mas, ao contrário disso, entrou no carro cuja porta já tinha sido aberta e sentando-se sem jeito, sem saber onde colocar as bolsas, a mão, a cara... ahhhh se coubesse dentro do porta-luvas!
Ele cumprimentou-a com dois beijinhos no rosto. Sorria. A primeira frase dela foi a mais desajeitada que poderia conseguir: "Mas o senhor não tem trinta e quatro anos"... Ele sorriu e pegou algo que deveria ser um RG e que ela só fingiu ver porque na verdade não conseguia enxergar nada que não fosse o sorriso dEle, congelado na retina.
Mais algumas palavras trocadas e saíram dali para o local de destino onde, ao final de uma longa e conversa, ele perguntou: "Agora que já sabe tudo sobre mim, ainda quer ser minha?"
Ela disse sim.
Era o dia 11 de setembro de 2007, uma quinta-feira, início da noite e o tempo havia esgotado. Ele tomou posse rapidamente do que a partir daquele momento lhe pertencia e foi embora.
Ela ainda achava que Ele nunca voltaria. Mas voltou.
Muita coisa aconteceu nesses nove anos. A relação seguiu em frente, consolidou-se. Não sem dificuldades. A distância física, nem tão grande assim, sendo aumentada por outras distâncias da vida que se impunham entre os dois, o que gerou muitas esperas, muitas saudades, muitos desejos reprimidos, muitos sonhos adiados, lágrimas, talvez um rio delas, mudanças de pensamento, de conceitos para aceitar cada situação que surgia e seguir em frente.
Mudanças na vida dEle, mudanças na vida dela e a vida em comum sendo mudada para adaptar-se às novas situações que surgiam...algumas felizes, outras nem tanto.
Em meio a tudo isso surgiu o sentimento que cresceu livre, sem repressões, fazendo extrapolar a situação Dono/escrava. Com o sentimento, mais dificuldades... novos sentimentos adicionais para administrar: ciúmes, insegurança, medos mas, embora algumas vezes tenha sido difícil, jamais foi impossível. Tudo sempre contornado pela vontade mútua de continuar, de não perder o que foi conquistado e construído ao longo dos anos. E sem perder a essência D/s em que se baseou sempre a relação.
As alegrias, sempre intensas. Borboletas no estômago, arrepios na espinha, pisar em nuvens, nenhum dos clichês usados para definir sentimentos de êxtase conseguiriam definir tamanha felicidade.
Acumularam-se tantas lembranças, lugares, sons, cheiros, gostos, músicas, momentos, palavras, atos, imagens... até comida, a comida deles. Fizeram a própria história... com cumplicidade, confiança, amizade e amor.
Tudo isso fez com que toda e qualquer dificuldade fosse superada até aqui. Hoje, novas dificuldades se interpõem nesse caminho. Se vão conseguir superar outra vez, não se sabe. Mas é preciso comemorar e festejar o caminho percorrido. E agradecer.
Senhor da Torre & {Λїtą}_ŞT - 9 anos






























