Mas, uma dúvida ainda a atormenta: serei mesmo uma submissa? O que preciso para ter certeza se quero mesmo ser uma?
Suas dúvidas têm razão de ser. Você tomou conhecimento desse universo paralelo onde tudo é diferente do que viveu até agora, vislumbrou a possibilidade de ter um Dono , de ser posse de alguém mas para isso sabe que terá que avaliar em que isso muda ou influencia sua vida.
Como conciliar? Afinal, você sempre se considerou uma pessoa determinada, às vezes, até mesmo autoritária. Talvez uma líder em seu grupo acadêmico, de amigos ou com um cargo de chefia no trabalho, o qual desempenha muito bem, e, no mínimo, pode ser que seja a provedora em sua própria casa, com autoridade sobre os filhos e total controle dos problemas domésticos.
Então, como conciliar esse novo desejo de submeter-se a alguém com sua personalidade forte, marcante e, em alguns casos, até dominadora? Como não deixar que isso prejudique outros aspectos de sua vida como trabalho, família, amizades?
A possibilidade de conviver com esses dois lados tão diferentes pode deixá-la em dúvida quanto a sua própria predisposição para a submissão.
Estarei mesmo preparada para essa vivência? Terei mesmo aptidão para obedecer a alguém, servir, entregar-me?
Primeiramente, leve em consideração que se é submissa a alguém, não ao mundo e a todas as pessoas. A submissa entrega-se a alguém que escolheu porque essa pessoas reúne qualidades que lhe causem admiração, respeito.
Portanto, o fato de ter uma personalidade forte e até dominante na vida baunilha, não significa que você não possa ser uma submissa dentro do jogo D/s do BDSM.
Um Dono responsável terá comando sobre você. Sua família, seu trabalho, suas amizades fora do BDSM estarão fora do domínio dele.
Mas, ainda assim, sua dúvida permanece. Como saber se tenho mesmo predisposição para submeter-me a alguém? Será preciso me entregar primeiro, por a mão na massa para saber? Terei algum meio de descobrir isso antes de entrar em algo de que venha a arrepender-me depois?
Sim, há meios de saber. As respostas estão em você mesma, basta fazer as perguntas certas, refletir e conhecer-se.
Conhecendo a si mesma
O primeiro passo para reconhecer-se submissa é o auto-conhecimento. Para saber o que quer, o que é, é preciso que você se conheça. Que reflita sobre seus desejos, seus anseios, sua vida pregressa e seus objetivos para o futuro. Sobre o que espera de um relacionamento a dois, se tem real vontade de experimentar novas experiências, conhecer novos conceitos e vivenciá-los e do que está disposta a abrir mão em favor disso.
Uma relação D/s demanda uma mudança de comportamento, de pensamentos e conceitos e é importante estar aberta ao novo, não apenas a novas experiências mas também a novos estudos e observações que irão ajudá-la na descoberta desse novo mundo que se descortina à sua frente.
Tudo isso não envolve apenas ter um Dono, mas inserir-se em um universo onde tudo gira em torno do jogo de poder e onde você, enquanto submissa, não terá esse poder. É necessária uma grande quebra de paradigma, principalmente para mulheres modernas, independentes e auto-suficientes. No entanto, essa é uma escolha sua, pessoal, e ser auto-suficiente, ao contrário do que possa parecer, irá ajudá-la nessa escolha.
Submissas necessitam equilíbrio emocional, boa autoestima, personalidade forte, firmeza nas decisões porque o processo demanda uma grande mudança na maneira de se relacionar e, não vamos te enganar pintando isso em tons de rosa, é um processo difícil mas muito compensador.
Sendo assim, uma das maneiras de chegar ao que você deseja que é saber se tem aptidões para a submissão é a reflexão, o mergulho em si mesma para conhecer-se enquanto ser humano, enquanto mulher e, ao mesmo tempo, descobrir a submissa que mora em seu interior, mesmo que ainda em estado bruto, apenas pelo desejo que a move, mas pronta para ser lapidada.
Um dos primeiros passos é descobrir seus motivos. Vamos conversar um pouco sobre a falsa submissão...
Reconhecendo a falsa submissão
No meio, é comum vermos chegarem todo os dias mulheres de diferentes idades com o seguinte discurso: "Sou submissa e quero um Dono que me trate como sua jóia mais preciosa, que me respeite, que me valorize e cuide de mim".
Parece um discurso bonito e até simpático, você talvez até identifique-se com ele. Uma mulher que sabe o que quer e que é direta em suas exigências sem ser arrogante. Mas será que esse é mesmo o discurso de uma submissa? Diríamos que não.
Ela revela ali tudo o que espera de um Dono mas não diz o mais importante: o que ela está disposta a dar a ele para conquistar o que pediu...
Submissão demanda entrega e doação e, quando o desejo existe, parte de uma necessidade sua. Não o desejo de ter um Dono, mas primeiramente o desejo seu, pessoal, de servir. O Dono, o pertencer é a realização desse desejo que vem de você.
A falsa submissão é ditada por motivos diversos que têm muito mais a ver com interesses próprios que com o real desejo de servir.
Alguns desses motivos são carência afetiva, necessidade de se enquadrar em um grupo, necessidade de se destacar vivendo algo fora dos padrões da sociedade, busca por um sexo diferente, procura de namoro ou casamento camuflado em vivência de submissão, entre outros.
Os motivos citados acima podem levar pessoas a procurarem a submissão como saída mas não são os motivos corretos; é o que chamamos de falsa submissão, cujo objetivo não é servir; é servir-se da submissão para alcançar outros intentos mesmo que, na maioria das vezes, não se tenha consciência disso.
O desejo de "ter um Dono que cuide de mim" pode camuflar no fundo uma carência afetiva que nada tem a ver com submissão. E carência afetiva não é aptidão para a submissão. Uma pessoa carente quer ser amada, protegida, cuidada e é fato que um Dono também pode amar, proteger e cuidar mas também precisa ser cuidado, atendido e obedecido em coisas que demandam força e equilíbrio emocional.
Pessoas com carência emocional , assim como as que iniciam uma D/s com o pensamento de transformá-la, mais adiante, em um namoro ou algo parecido, estão sujeitas a nunca encontrarem a verdadeira satisfação na submissão porque o que buscam é alguém que preencha essas carências e uma submissa precisa estar apta a doar-se. Se ela tem lacunas a serem preenchidas, se lhe falta algo, não tem como doar o que precisa.
Sabemos que submissão não é uma tábua de salvação para ninguém, muito pelo contrário, para quem já vinha se afogando, ela pode ser a pedra que leva ao fundo do poço.
Muitas vezes, somos nós mesmos quem nos enganamos , e não o outro. São as nossas expectativas, o nosso desejo e nossa mente que criam um cenário perfeito e nos colocam no centro dele, tornando-o quase real para quem está imerso nele. Separar a ilusão da realidade, não é uma questão de ser submissa ou não, mas sim, de ser uma pessoa adulta que não pretende viver fora da realidade.
Há casos de pessoas iniciarem uma D/s com o pensamento de transformá-la, mais adiante, em um namoro ou algo parecido. O objetivo da D/s está longe de ser esse. Lembre-se, um Dono não é um namorado e, muito embora às vezes possa agir naturalmente como um, as bases de uma relação D/s são diferentes das de um namoro... e não cabe aqui evidenciar essas diferenças, mas, a essa altura, você já compreendeu que tratam-se de relacionamentos distintos.
Reflita, então, sobre seus verdadeiros motivos para aventurar-se na submissão...
{Λїtą}_ŞT & luara
























































