segunda-feira, 27 de junho de 2016

Falsa submissão

Você já leu sites, blogs, se informou, talvez tenha até criado um perfil em uma rede social e ido a algumas festas para entrar em contato com o universo BDSM.


Mas, uma dúvida ainda a atormenta: serei mesmo uma submissa? O que preciso para ter certeza se quero mesmo ser uma?
Suas dúvidas têm razão de ser. Você tomou conhecimento desse universo paralelo onde tudo é diferente do que viveu até agora, vislumbrou a possibilidade de ter um Dono , de ser posse de alguém mas para isso sabe que terá que avaliar em que isso muda ou influencia sua vida.


Como conciliar? Afinal, você sempre se considerou uma pessoa determinada, às vezes, até mesmo autoritária. Talvez uma líder em seu grupo acadêmico, de amigos ou com um cargo de chefia no trabalho, o qual desempenha muito bem, e, no mínimo, pode ser que seja a provedora em sua própria casa, com autoridade sobre os filhos e  total controle dos problemas domésticos.
Então, como conciliar esse novo desejo de submeter-se a alguém com sua personalidade forte, marcante e, em alguns casos, até dominadora? Como não deixar que isso prejudique outros aspectos de sua vida como trabalho, família, amizades?
A possibilidade de conviver com esses dois lados tão diferentes pode deixá-la em dúvida quanto a sua própria predisposição para a submissão.


Estarei mesmo preparada para essa vivência? Terei mesmo aptidão para obedecer a alguém, servir, entregar-me?
Primeiramente, leve em consideração que se é submissa a alguém, não ao mundo e a todas as pessoas. A submissa entrega-se a alguém que escolheu porque essa pessoas reúne qualidades que lhe causem admiração, respeito.
Portanto, o fato de ter uma personalidade forte e até dominante na vida baunilha, não significa que você não possa ser uma submissa dentro do jogo D/s do BDSM.
Um Dono responsável terá comando sobre você. Sua família, seu trabalho, suas amizades fora do BDSM estarão fora do domínio dele.


Mas, ainda assim, sua dúvida permanece. Como saber se tenho mesmo predisposição para submeter-me a alguém? Será preciso me entregar primeiro, por a mão na massa para saber? Terei algum meio de descobrir isso antes de entrar em algo de que venha a arrepender-me depois?
Sim, há meios de saber. As respostas estão em você mesma, basta fazer as perguntas certas, refletir e conhecer-se.


Conhecendo a si mesma

O primeiro passo para reconhecer-se submissa é o auto-conhecimento. Para saber o que quer, o que é, é preciso que você se conheça. Que reflita sobre seus desejos, seus anseios, sua vida pregressa e seus objetivos para o futuro. Sobre o que espera de um relacionamento a dois, se tem real vontade de experimentar novas experiências, conhecer novos conceitos e vivenciá-los e do que está disposta a abrir mão em favor disso.

Uma relação D/s demanda uma mudança de comportamento, de pensamentos e conceitos e é importante estar aberta ao novo, não apenas a novas experiências mas também a novos estudos e observações que irão ajudá-la na descoberta desse novo mundo que se descortina à sua frente.
Tudo isso não envolve apenas ter um Dono, mas inserir-se em um universo onde tudo gira em torno do jogo de poder e onde você, enquanto submissa, não terá esse poder. É necessária uma grande quebra de paradigma, principalmente para mulheres modernas, independentes e auto-suficientes. No entanto, essa é uma escolha sua, pessoal, e ser auto-suficiente, ao contrário do que possa parecer, irá ajudá-la nessa escolha.


Submissas necessitam equilíbrio emocional, boa autoestima, personalidade forte, firmeza nas decisões  porque o processo demanda uma grande mudança na maneira de se relacionar  e, não vamos te enganar pintando isso em tons de rosa, é um processo difícil mas muito compensador.
Sendo assim,  uma das maneiras de chegar ao que você deseja que é saber se tem aptidões para a submissão é a reflexão, o mergulho em si mesma para conhecer-se enquanto ser humano, enquanto mulher e, ao mesmo tempo, descobrir a submissa que mora em seu interior, mesmo que ainda em estado bruto, apenas pelo desejo que a move, mas pronta para ser lapidada.
Um dos primeiros passos é descobrir seus motivos. Vamos conversar um pouco sobre a falsa submissão...

Reconhecendo a falsa submissão


No meio, é comum vermos chegarem todo os dias mulheres de diferentes idades com o seguinte discurso: "Sou submissa e quero um Dono que me trate como sua jóia mais preciosa, que me respeite, que me valorize e cuide de mim".
Parece um discurso bonito e até simpático, você talvez até identifique-se com ele. Uma mulher que sabe o que quer e  que é direta em suas exigências sem ser arrogante. Mas será que esse é mesmo o discurso de uma submissa? Diríamos que não.
Ela revela ali tudo o que espera de um Dono mas não diz o mais importante: o que ela está disposta a dar a ele para conquistar o que pediu...


Submissão demanda entrega e doação e,  quando o desejo existe, parte de uma necessidade sua. Não o desejo de ter um Dono, mas primeiramente o desejo seu, pessoal, de servir. O Dono, o pertencer é a realização desse desejo que vem de você.
A falsa submissão é ditada por motivos diversos que têm muito mais a ver com interesses próprios que com o real desejo de servir.
Alguns desses motivos são carência afetiva, necessidade de se enquadrar em um grupo, necessidade de se destacar vivendo algo fora dos padrões da sociedade, busca por um sexo diferente, procura de namoro ou casamento camuflado em vivência de submissão, entre outros.


Os motivos citados acima podem levar pessoas a procurarem a submissão como saída mas não são os motivos corretos; é o que chamamos de falsa submissão, cujo objetivo não é servir; é servir-se da submissão para alcançar outros intentos mesmo que, na maioria das vezes, não se tenha consciência disso.
O desejo de "ter um Dono que cuide de mim" pode camuflar no fundo uma carência afetiva que nada tem a ver com submissão. E carência afetiva não é aptidão para a submissão. Uma pessoa carente quer ser amada, protegida, cuidada e é fato que um Dono também pode amar, proteger  e cuidar mas também precisa ser cuidado, atendido e obedecido em coisas que demandam força e equilíbrio emocional.


Pessoas com carência emocional , assim como as que iniciam uma D/s com o pensamento de transformá-la, mais adiante, em um namoro ou algo parecido, estão sujeitas a nunca encontrarem a verdadeira satisfação na submissão porque o que buscam é alguém que preencha essas carências e uma submissa precisa estar apta a doar-se. Se ela tem lacunas a serem preenchidas, se lhe falta algo, não tem como doar o que precisa.
Sabemos que submissão não é uma tábua de salvação para ninguém, muito pelo contrário, para quem já vinha se afogando, ela pode ser a pedra que leva ao fundo do poço.


Muitas vezes, somos nós mesmos quem nos enganamos , e não o outro. São as nossas expectativas, o nosso desejo e nossa mente que criam um cenário perfeito e nos colocam no centro dele, tornando-o quase real para quem está imerso nele. Separar a ilusão da realidade, não é uma questão de ser submissa ou não, mas sim, de ser uma pessoa adulta que não pretende viver fora da realidade.


Há casos de pessoas iniciarem uma D/s com o pensamento de transformá-la, mais adiante, em um namoro ou algo parecido.  O objetivo da D/s está longe de ser esse. Lembre-se, um Dono não é um namorado e, muito embora às vezes possa agir naturalmente como um, as bases de uma relação D/s são diferentes das de um namoro... e não cabe aqui evidenciar essas diferenças, mas, a essa altura, você já compreendeu que tratam-se de relacionamentos distintos.


Reflita, então, sobre seus verdadeiros motivos para aventurar-se na submissão...


{Λїtą}_ŞT & luara







domingo, 19 de junho de 2016

Quando um amigo...


... diz em um poema tudo que gostaríamos de ter dito:


GEOMETRIA DE TUAS FORMAS

"És a transversal dos limites do meu eu
A bissetriz que me disseca em dois corações
Um que é metade teu
E o outro, escravo de tuas paixões.


És a diagonal que faz a simetria
Entre meu cérebro e meu coração.
Um te ama em demasia
O outro faz de ti, sua própria razão.


Tornaste meu coração meu centro de gravidade
Que me divide e deixa minha alma nua.
Metade de mim se equilibra em igualdade
A outra metade insiste em ser só tua.


És a geometria dos meus espaços e arestas
Retas, ângulos, curvas, pontos e traço.
És Senhor de minhas linhas e minhas frestas 
Razão dos caminhos que eu mesma faço."

                                            
                 PDR, 2012


Agradecimentos  muitos especiais ao queridíssimo amigo PDR  do blog PEQUENOS DELITOS RENOVADOS por ter escrito este primor de poema e por ter generosamente cedido para eu postar aqui, pois reflete todo o meu sentimento.







quarta-feira, 15 de junho de 2016

Recadinho:

Porque algumas coisas não têm preço


Bom dia amor da minha vida.
Feliz dias dia namorados!
Pq vc,  além de tudo,  também é minha namorada.
Te amo


Recebido em 12/06/2016


domingo, 12 de junho de 2016

Ao fim da espera - parte II - A surpresa

A Cerimônia das Rosas

Ela nada conseguiu responder, tudo que fez foi emitir outro suspiro. 
A espera, a expectativa daquele momento e os medos que a tomavam, além da excitação, apertavam sua garganta na mesma medida em que a arrepiavam de alto a baixo.


Segurando sua cabeça por trás ele tocou-lhe o queixo, levantando-a, e beijou sua testa. Em seguida passeou por todo seu corpo com as pontas dos dedos, arrancando-lhe suspiros e fazendo toda a pele arrepiar-se enquanto o corpo queimava de excitação. Ao tocar-lhe as partes íntimas confirmou o que já sabia, ela estava úmida e pôde ouvir o suspiro dele desta vez, que colocou os dedos em sua boca para que sentisse o próprio gosto.


Ela ia tendo sensações indescritíveis diante da privação do sentido da visão mas ainda estava ansiosa sobre o que viria depois... um castigo? Não se lembrava de ter feito por merecer...


Em seguida ele tirou-lhe a venda e acendeu uma luz que ela identificou como fraca, antes de perceber que eram luzes de velas que ele ia acendendo para iluminar o ambiente dando à sala uma atmosfera de magia entre os móveis antigos e a iluminação.
Emocionou-se ao começar a identificar para o que aquele local fora preparado: havia, numa mesa de canto e dispostas nela, uma rosa branca semi-aberta, uma rosa vermelha um pouco mais aberta que a branca e ao lado um belo vaso, sem flores.



Mal podia acreditar no que estava acontecendo... Ele estava preparando a Cerimônia das Rosas!
A Cerimônia das Rosas é realizada por um casal D/s que opta por permanecer juntos e esta é a declaração simbólica de seu compromisso.

A rosa branca ainda não aberta, simboliza a submissão. A cor branca representa a pureza de seu presente, e o fato de ainda não ter aberto, que a submissão ainda não atingiu seu complemento. E nunca vai. A submissão pode ir sempre mais fundo, sempre crescendo e a submissa nunca vai chegar em um ponto em que não possa dar mais um pouco a seu Dominador.


A rosa vermelha, quase totalmente aberta, significa a Dominação. O vermelho significa a paixão e desejo dele de protegê-la e possui-la a qualquer preço, mesmo que para isso ele tenha que derramar o seu sangue. A rosa esta aberta simbolizando o fato dele estar maduro e pronto para assumir suas responsabilidades.


Ele gentilmente pegou-a pela mão e levou-a até a porta e só então ela percebeu que uma passadeira fazia o caminho entre a porta e a mesa. Entregou a ela com cuidado a rosa branca pois continha espinhos no caule, segurou a vermelha e juntos caminharam em silêncio até a mesa, onde ficaram de frente um para o outro.


Ela tremia como uma noiva no altar. Era muita emoção nessa surpresa totalmente inesperada.
Somente o casal participa da cerimônia. Ela carrega a rosa branca, não muito aberta. Ele carrega ua rosa vermelha, quase totalmente aberta. Ambas as rosas têm espinhos em seus caules e foram colhidas há pouco tempo, como dita a liturgia da cerimônia.

Ele, então, diz: "Minha escrava, a partir desse momento tomo seu destino em minhas mãos, para sempre protegê-la e guiá-la como minha propriedade, minha joia preciosa".

Com o espinho de sua rosa vermelha ele pica o dedo do meio dela e deixa duas gotas de sangue cairem sobre sua rosa branca. Ela então oferece o espinho de sua rosa e ele fura seu próprio dedo e deixa duas gotas de seu sangue cairem sobre a rosa branca.


Uma em outra pétala e outra em cima da que contem o sangue dela. Os dois unem então os dedos e fazem sua promessa de união pelo sangue. "Faço desse ato o símbolo de nossa união e que nesse momento toda a energia de nossos corpos se unam, fazendo eterno nosso Amor".


As rosas são colocadas juntas deixando que o sangue da dela beije a rosa dele, e então são trocadas. As rosas irão para um único vaso e mais tarde ao quarto do casal onde poderão contemplar sua união durante aquela noite.


Depois dividem seus sonhos e expectativas enquanto arrancam as pétalas e acondicionam juntas em uma caixa. Estas pétalas são mantidas pelo resto de suas vidas e, muitas vezes enterradas com eles.



 Após todas essas vibrantes emoções, partiram para o leito, onde uma noite inteira de delícias estava apenas começando...
Ela jamais teria ousado sonhar com tal surpresa e este é um dos temperos mais sublimes da submissão, a surpresa, aquilo que recebemos sem nada pedir ou esperar acabam por transformar-se em presentes mais valiosos que qualquer tesouro.



{Λїta}_ST


* A Cerimônia das Rosas faz parte da liturgia BDSM e pode ser consultada no Reino de Ka






segunda-feira, 6 de junho de 2016

Ao fim da espera


Ela estava chegando ao local combinado. Ele nada dissera a não ser que estivesse lá na hora marcada às oito da noite em ponto.
A rua era um tanto deserta e ela, por isso, teve certo receio e a sensação de estar sendo observada. Chegou mesmo a sentir um certo arrepio que sabia claramente não ser de frio.


Apesar de tudo isso a excitação tomava conta de seu ser. Inteiro.
"O que ele estaria preparando?"
Um carro parou no meio fio em frente a ela. Um táxi. O motorista fez sinal que entrasse e ela resistiu mas a menção da palavra "Boss" era o código para que confiasse e fosse a qualquer lugar com aquele homem.


Rodaram por meia hora e ela estava muito nervosa e excitada para prestar atenção no caminho.
Pararam em frente a uma casa e, depois de ouvir que a corrida estava paga e saber pela voz do motorista que praticamente não abrira a boca durante o trajeto, que deveria entrar.
Olhou a grade antiga que rodeava a casa, abriu o pesado portão de ferro e entrou, olhando as roseiras meio mal cuidadas que deveriam enfeitar o pequeno espaço entre o portão e a porta da casa.


Bateu na porta e esperou. Como não obtivesse resposta, girou a maçaneta por saber que deveria entrar, disso estava avisada.
A sala estava vazia, e na penumbra, já que a iluminação vinha apenas do poste na rua, conseguiu visualizar móveis meio antigos, pesados... a casa certamente era antiga e pertencera a pessoas mais idosas porque, no momento, parecia não ter moradores.
Não pode perder muito tempo com observações, sabia que devia seguir suas ordens para casos assim. Tirou cuidadosamente toda a roupa, colocou a coleira no pescoço, a venda nos olhos e sentou no meio da sala, em nadu, a posição que ele gostava de encontrá-la quando chegava.


A partir disso ela ficava sempre tensa, um dos sentidos privados, a visão, a deixava em alerta, nervosa. Indefesa, por estar nua mas totalmente à espera dele sentada em nadu.
Nesse instante pressentiu um movimento, depois disso um cheiro impregnou o ar... o perfume dele combinado ao cheiro característico do corpo que criavam uma mistura embriagante.


Suas narinas se abriram como as de uma cadela farejando o Dono.
À medida que sentia a aproximação dele, arrepiava. O toque, muito de leve em sua nuca a fez sobressaltar-se e retesar-se inteira. Mas, nesse momento, sentiu que estava molhada.
Como ele conseguia isso sem nem mesmo tocá-la?
Sem querer, suspirou com esse pensamento, um suspiro de resignação, talvez, por sua incapacidade em resistir a ele.
E, finalmente, o ouviu:
_ Por que o suspiro, minha cadela?


O simples som da voz dele a fez quase desfalecer. Ele chegara e agora sim se revelaria o motivo para ela estar ali; servi-lo. 
Por isto esperara. Para isto se cuidara. Para isto, nesse momento - pensava - existia.

(Continua)...


{Λїta}_ST 


segunda-feira, 30 de maio de 2016

Me lambe, me come...

O poema abaixo foi presente da minha querida amiga Leoa, do blog Overdoses Of Orgasms - Um delicioso manual para a sua vida ficar mais gostosa e picante - e com todo o gosto o ilustrei com fotos N/nossas para o deleite dos leitores nesses versos picantes que ela sabe escrever como ninguém.
Obrigada, Leoa! Reproduzo sua generosidade presenteando meus leitores com sua deliciosa poesia erótica...



ME LAMBE ME COME

Com autoridade manda que eu me ajeite
Me xinga e grita, reclamando de fome
Me pega e bate, me lambe e come
Me deixa insana com tamanho deleite.


Diz: " Abre a boca, vou gozar na sua cara"
Me põe a mamar como se eu fosse ovelha
Enfia tudo tão forte em minha grelha
Saciando todos nossos fetiches e taras.


Socando bem fundo quer me arrombar
Com a xotinha inchada de tanto atolar
Ainda me ordena a tocar siririca.


Entrando, saindo, pincelando a beira
Puxando o cabresto da minha coleira
Me faz engolir a porra da sua pica.





terça-feira, 24 de maio de 2016

Nem só de sexo selvagem...

... vive o BDSMer!


Hoje vou falar diretamente com meus amigos da blogosfera. Aqueles que me seguem e são seguidos por mim. Que me visitam e a quem eu, com muito gosto, visito também. Que comentam ou não minhas postagens e a quem retribuo na medida que posso mas sempre com muito prazer.
Sempre achei que é essa interação que nos estimula a continuar, a escrever, a contar histórias, a mostrar coisas. Quem escreve blog e põe no ar para não ser lido? Ninguém... e seria hipocrisia dizer o contrário.

Meu blog foi criado em 2007 e antes deste eu tinha outro onde contava e relatava também a história da relação anterior, aliás, com muito mais detalhes e muito mais fotos, o que constatei ser um erro e erros não devem ser repetidos. Mas, naquela época, meu blog era seguido em sua maioria por pessoas do mesmo meio que eu, o meio BDSM. E essas pessoas, naturalmente, consideravam normal o que eu postava, era fácil para ela entender certas posturas, certas práticas e os relatos e fotos, no geral.

Hoje, depois do aparecimento das redes sociais fetichistas onde se agrupam essas pessoas, os blogs caíram em desuso. Muitas pessoas pararam de postar neles, outras os tiraram mesmo do ar. Na rede social é mais fácil, mais tranquilo, estão entre iguais que vão compreendê-los (embora nem sempre seja fácil encontrar unidade lá também), mas o fato é que por conta dos perfis nessas redes as pessoas do meio pararam de postar em blogs. 


Diante disso, ao retornar com o meu blog, fora do ar por quase três anos devido a uma ordem do meu Dono (que, aliás, configurou-se para mim como um castigo), voltei. E lá não estavam mais os blogs dos praticantes, Eu sabia disso mas resolvi continuar e interagir com as pessoas que encontrasse. E encontrei (e me encontrei) entre pessoas que postam sobre sexo, poesia, sentimentos, até sobre moda, ou seja, os mais variados assuntos, o que é muito bom, essa diversidade faz com que as coisas não sejam monótonas.

Entretanto, em meio a pessoas tão diferentes, algumas muito sensíveis, poetas inclusive, as coisas que eu posto podem acabar chocando um pouco. E sei que sim porque estas pessoas manifestam isso abertamente nos comentários e, por isso, quero agradecer. Agradeço porque todas essas manifestações vêm imbuídas de muito respeito.

Não estou aqui para mostrar um mundo cor-de-rosa porque o BDSM definitivamente não é. Aliás, é por essa "pintura" que muitas pessoas se aventuram no meio e saem decepcionadas e até machucadas, não só fisicamente como emocionalmente também. Sendo assim,  a verdade do que vivo é o que mostro aqui. Sim, não são só flores. Sim, tem espinhos. A questão é que gosto disso e agradeço a quem consegue, mesmo sem entender, mesmo sem querer isso para si, respeitar. E vir aqui visitar, comentar... vocês são inestimáveis para mim.

Outrossim, ainda há algo que preciso esclarecer. 
O BDSM tem sim uma pegada mais forte, mais "violenta", não negaria isso. São os fatos e não há motivo para escondê-los.
No entanto, fazer sexo com carinho, com  preliminares, com doçura é bom para qualquer pessoa, ainda que seja praticante de BDSM, que não tem que ser só "porrada" e sexo selvagem o tempo todo.
Existem momentos e momentos, principalmente dentro de uma D/s (relação de Dominação e submissão onde um manda e o outro obedece) que, diferente do SM puro (relação entre o sádico e a masoquista onde o viés é o desejo de receber dor de um e de infligir dor do outro).


As D/s são relações mais completas onde cabem outros momentos de puro carinho, cuidados, amor e quaisquer sentimentos e ações de casal "normal", respeitando-se sempre a hierarquia, o conceito de que um manda e o outro obedece.
Alguns costumam chamar esses momentos de momentos baunilha, sexo baunilha, passeios baunilha...
Meu Dono não concorda com essa premissa dizendo que esses momentos que costumam chamar de baunilha só acontecem conosco por pura vontade e concessão dele, portanto, são D/s como quaisquer outros.

Nomenclaturas à parte, os momentos acontecem e são muito apreciados.
Gosto muito, assim como vocês, de sexo mansinho, cheio de carinho e isso toma até outros contornos para quem pratica BDSM porque, por não ser usual, acaba tornando-se algo diferente, muito bom e muito desejado também. Ou seja, nem só de sexo selvagem vivem os BDSMers, era o que eu queria esclarecer também.

No mais, agradeço mais uma vez a presença amiga, a interação, a compreensão e espero que estejamos juntos por muito tempo trocando e mantendo essa amizade que, embora virtual, me faz muito feliz, E peço perdão por qualquer coisa que tenha ou venha a chocar vocês,


Beijos de {Λїta}_ST 








quinta-feira, 19 de maio de 2016

Champagne


"...Como um “drink” para a alma 
e sendo para a alma te traz, 
embriaga-me esta chuva.


Ainda contida, 
mais uma poesia brilha na minha retina. 
E mesmo que daqui, do décimo primeiro piso, 


todo pingo seja ainda inteiro, 
é certo que depois vira leito..." 

Cissa Oliveira 


Golden Shower ou Chuva Dourada é o ato de urinar em outra pessoa, geralmente para a gratificação sexual ou como uma forma de humilhação.

Como prática BDSM a chuva dourada é muito apreciada pelos praticantes e a forma mais comum é o(a) Dono(a) banhar a(o) escrava(o) com sua urina, o que provoca uma sensação de conforto e bem estar na maioria, para outros significa humilhação e alguns Donos usam também para "marcar território", um ato simbólico para demonstrar que o corpo do(a) escravo(a) pertence a ele/ela.


{Λїtą}_ŞT






quinta-feira, 12 de maio de 2016

Continho II...



Sentada no chão frio, presa pelas algemas, no canto da parede, a mordaça a impedir-lhe a fala e fazendo com que a saliva escorresse da boca para os seios desnudos e deslizasse pelo corpo, ela pensava em como chegara até ali, enquanto o casal, na cama, emitia gemidos de prazer.


Lutava para não olhar mas algo mais forte que ela não deixava que desviasse os olhos do casal.
As correntes apertavam-lhe o corpo, a posição era tremendamente incômoda,  o piso frio e duro deixava-lhe as nádegas doloridas . A boca, muito aberta pela ball gag fazia com que seus maxilares doessem mas nada poderia doer mais que a humilhação. E não a humilhação imposta por ELE, mas pela vergonha de ter errado tanto a ponto de estar naquela situação. Culpava-se por isso. Por ter sido levada àquele motel no banco de trás do carro, como um objeto. Por ser levada a testemunhar, sem participar, daquele ato.


Sua intempestiva crise de ciúmes a levara àquela situação que, no fim, fora desejada por ela mesma. Era preciso expurgar sua culpa e sua vergonha e só um castigo desta natureza poderia tirar-lhe esse peso.
Resistia bravamente observando o casal que se deliciava um com o outro, entre tapas e beijos, carícias, gemidos, gritos de prazer. A visão, de onde ela estava, era limitada. Do chão não podia ver os corpos em sua totalidade em cima da cama mas o que via e ouvia era o suficiente. E o mais revelador e chocante: ela estava molhada. Sim, estava tremendamente excitada com a situação. Sua umidade já molhava o chão fazendo com que praticamente escorregasse em sua própria excitação.


Totalmente imóvel para não se machucar nas cordas que a prendiam, movia apenas o pescoço a fim de acompanhar os movimentos do par que, envolvidos um com o outro, ignoravam sua presença.
Vez ou outra uma lágrima escorria e ela não saberia dizer se de dor ou de uma certa euforia insana por estar participando daquilo que há algum tempo atrás consideraria loucura.
No entanto, naquele momento perdia-se entre sentimentos de dor e excitação que provocavam uma euforia difícil de explicar, caso tivesse que fazê-lo.


Esqueceu-se de quanto tempo ficou ali, entre observar o casal, excitar-se com isso e lembrar-se da situação que a levara até ali, sua crise de ciúmes, sua falta de respeito cobrando a ELE o que não lhe devia, usando palavras duras e acusadoras... e depois o pedido de perdão, a recusa dELE e a proposta, dela mesma, para consertar tudo passando por um castigo realmente difícil a fim provar sua lealdade, seu respeito e que sua obediência continuava intacta, que ainda era digna de continuar a servi-lo.
A ideia fora quase sua. O objeto do castigo: justamente aquela de quem ela tivera ciúmes. O que poderia ser mais contundente e libertador?



Um gemido mais alto tirou-a de seus devaneios, as respirações tornaram-se mais ofegantes, os gemidos mais altos e sensuais, estavam chegando ao final e um arrepio percorreu-lhe o corpo... o que ELE faria com ela depois de tudo?
O silêncio e os suspiros que se seguiram deram a certeza que o ato havia terminado. Ela não sabia se sentia alívio ou medo, afinal, seu destino estava incerto. Errara e estava sendo castigada mas ELE lhe devolveria a coleira? Permitiria que continuasse servindo-o?

A mulher levantou-se da cama e passou por ela sem olhá-la, em direção ao banheiro. ELE levantou-se lentamente da cama e caminhou em sua direção. Segurava o membro, tirando o preservativo e aproximando-se dela, tirou-lhe a mordaça com umas das mãos e oferecendo o pênis com a outra, disse-lhe: "Limpe. Limpe seu Dono".
A menção da palavra Dono encheu-a de alegria e esperança. Limpou, com toda destreza de que era capaz, usando a língua e os lábios, os restos daquele ato. Uma tristeza percorreu seus olhos quando lembrou que os restos que lambia poderiam ter sido seus... mas, disposta a redimir-se, não se deteria por muito tempo nessa tristeza, esmerando-se em fazer o trabalho ordenado e dar a ELE algum prazer, mesmo que talvez já não houvesse mais espaço naquele momento.
As mãos continuavam amarradas de forma que só sua boca trabalhava suavemente, demonstrando toda sua devoção e cuidado em limpá-lo, mas também toda a lascívia de que era capaz.


Para sua satisfação, conseguiu o que era para ela inesperado; ele voltou a excitar-se ficando totalmente ereto dentro de sua boca e depois de algumas estocadas que tanto a engasgavam quanto enchiam de prazer, inundou-lhe do líquido precioso que ela tanto quisera. Um prêmio, por ter suportado bravamente seu castigo.
Em seguida, ele segurou-a pelo queixo e disse-lhe: "Meu bichinho, foi preciso. Aprenda que é única para mim e sei disso, não preciso ser lembrado, não preciso ser cobrado e não quero que aconteça. Nunca mais. Parabéns por ter suportado o castigo, hoje você cresceu grandiosamente a meus olhos enquanto minha serva e seu lugar no meu coração e a meus pés, ninguém tira. E sei que no fundo se excitou, te conheço e sei o quanto está molhada mas não vou te dar o que quer, não hoje. É preciso que seu castigo cumpra seu ciclo. Agora você vai se vestir, ir embora e esperar até que eu a procure."
Ela foi, de coração leve e com um sorriso nos lábios, sonhando com o dia que estaria novamente aos pés dELE.





  {Λїtą}_ŞT 





quinta-feira, 5 de maio de 2016

Gentileza gera Gentileza


Nem só de BDSM vive este blog.
Ele vive de mim, do que sinto ou penso, das histórias com meu Dono e da nossa relação. E embora eu evite colocar coisas que estejam fora desse tema, às vezes tenho vontade de contar outras histórias... e hoje vou contar uma que nem é nossa, embora tenha a ver conosco.


Antes de mais nada preciso dizer que meu Dono é um ótimo contador de histórias. É daquelas pessoas que têm o dom para a coisa, que quando conta algo nos faz sentir todas as emoções como se as estivéssemos vivendo e, por isso, nunca me canso de ouvi-lo.
Passear com ele é sempre uma gostosa aventura, principalmente se estamos em sua cidade. Além de conhecer os lugares mais lindos dela, ele conhece também a  história desses lugares. E conta, daquele jeito que só ele sabe, me fazendo ficar embevecida e babona, ouvindo.
Mas nem só de cantos e recantos lindos vive a cidade maravilhosa. Às vezes, até em um canto nem tão bonito assim podemos ver coisas muito belas e significativas... e essa foi uma das histórias que ele me contou e que minha memória curta não saberia mais reproduzir fielmente.
Por isso, peço ajuda aos universitários no blog Mente Aberta para contar a história do Profeta Gentileza.

Um dia, nos arredores da rodoviária onde Dono tinha ido me pegar (ou levar, não me lembro bem) acabamos inevitavelmente passando pelas pilastras do Viaduto do Caju e assim, ele passou a contar a história daquelas inscrições que podem ser vistas em 56 dessas pilastras e também em camisetas, faixas, etc e que eu já havia visto mas que sempre julguei serem fruto de alguma campanha publicitária, algo assim. Não era nada disso, essas placas passam pela história de José Datrino, mais conhecido como Profeta Gentileza.


Gentileza nasceu em 11/04/1917 no bairro de Cafelândia (São Paulo) onde vivia com seus pais e onze irmãos. Durante sua infância era "obrigado" a trabalhar nas terras locais cuidando dos animais e em determinados momentos havia a necessidade de trabalhar puxando carroças vendendo lenha para ajudar sua família. O campo ensinou José Datrino a amansar burros para o transporte de carga. Tempos depois, como profeta Gentileza, se dizia "amansador dos burros homens da cidade que não tinham esclarecimento".

Quando José completou 13 anos começou a ter algumas premonições sobre suas missões na Terra e isso acabou gerando certo desconforto em sua família que começou a desconfiar que ele estava tendo algum problema mental.

Em 1961, exatamente no dia 17 de Dezembro, ocorreu uma verdadeira tragédia em Niterói no Circo "Gran Circus Norte-Americano" que infelizmente gerou a morte de 500 pessoas causada por um incêndio. Essa foi uma das maiores fatalidades no Brasil e teve repercussão em todo o mundo.


Dois dias antes do Natal de 1961 (6 dias após o incêndio) José Datrino acordou durante a madrugada alegando ter ouvido "vozes astrais" que pediam para que ele abandonasse o mundo material e se dedicasse exclusivamente ao mundo espiritual. A partir desse dia o Profeta pegou seu caminhão e se dirigiu ao local do incêndio, plantou jardim e horta  sobre as cinzas do circo que um dia levou tantas alegrias as pessoas. Lá permaneceu durante 4 anos de sua vida. José  durante esse período levou conforto e carinho a muitas famílias das vítimas do incêndio. Daquele dia em diante passou a ser chamado de "Profeta Gentileza".


Depois de deixar o local, "Gentileza" começou sua jornada pelas ruas da cidade do Rio de Janeiro na década de 1970. Fazia suas pregações em trens, ônibus e praças públicas, sempre levando palavras de conforto e bondade as pessoas. Gentileza pregava também o respeito ao próximo e pela natureza. Alguns o chamavam de louco e ele sempre respondia: - "Sou maluco para te amar e louco para te salvar".

A partir da década de 1980 começou a escrever diversas frases e poemas em 56 pilastras do viaduto do Caju, que vai do Cemitério do Caju até a Rodoviária Novo Rio. Ali deixou sua marca eterna para que todos pudessem ler.

Gentileza faleceu em 28 de maio de 1996.


Segundo meu Dono, há controvérsias. E o Profeta Gentileza teria mais mistérios do que essa história faz parecer, mas eu, uma apreciadora, entusiasta, praticante e entendedora da gentileza como a salvação das relações humanas em um mundo cada dia mais árido, só posso me encantar com a história, seja ela qual for, a ponto de contá-la aqui para vocês, queridos leitores e amigos, sem esquecer que ela foi-me contada por meu amado Dono que tem sempre algo a me ensinar, não importa em que situação porque no fim de tudo o que importa mesmo é o legado, a palavra de um homem simples que pregava gentileza e amor e sua obra que ficou imortalizada tendo sido inclusive restaurada mais de uma vez...


Muitos a conhecem, principalmente os cariocas, mas fica o registro de mais um dos nossos passeios. Este, sem aventuras exibicionistas, mas com muita gentileza.







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