Ela estava chegando ao local combinado. Ele nada dissera a não ser que estivesse lá na hora marcada às oito da noite em ponto.
A rua era um tanto deserta e ela, por isso, teve certo receio e a sensação de estar sendo observada. Chegou mesmo a sentir um certo arrepio que sabia claramente não ser de frio.
Apesar de tudo isso a excitação tomava conta de seu ser. Inteiro.
"O que ele estaria preparando?"
Um carro parou no meio fio em frente a ela. Um táxi. O motorista fez sinal que entrasse e ela resistiu mas a menção da palavra "Boss" era o código para que confiasse e fosse a qualquer lugar com aquele homem.
Rodaram por meia hora e ela estava muito nervosa e excitada para prestar atenção no caminho.
Pararam em frente a uma casa e, depois de ouvir que a corrida estava paga e saber pela voz do motorista que praticamente não abrira a boca durante o trajeto, que deveria entrar.
Olhou a grade antiga que rodeava a casa, abriu o pesado portão de ferro e entrou, olhando as roseiras meio mal cuidadas que deveriam enfeitar o pequeno espaço entre o portão e a porta da casa.
Bateu na porta e esperou. Como não obtivesse resposta, girou a maçaneta por saber que deveria entrar, disso estava avisada.
A sala estava vazia, e na penumbra, já que a iluminação vinha apenas do poste na rua, conseguiu visualizar móveis meio antigos, pesados... a casa certamente era antiga e pertencera a pessoas mais idosas porque, no momento, parecia não ter moradores.
Não pode perder muito tempo com observações, sabia que devia seguir suas ordens para casos assim. Tirou cuidadosamente toda a roupa, colocou a coleira no pescoço, a venda nos olhos e sentou no meio da sala, em nadu, a posição que ele gostava de encontrá-la quando chegava.
A partir disso ela ficava sempre tensa, um dos sentidos privados, a visão, a deixava em alerta, nervosa. Indefesa, por estar nua mas totalmente à espera dele sentada em nadu.
Nesse instante pressentiu um movimento, depois disso um cheiro impregnou o ar... o perfume dele combinado ao cheiro característico do corpo que criavam uma mistura embriagante.
Suas narinas se abriram como as de uma cadela farejando o Dono.
À medida que sentia a aproximação dele, arrepiava. O toque, muito de leve em sua nuca a fez sobressaltar-se e retesar-se inteira. Mas, nesse momento, sentiu que estava molhada.
Como ele conseguia isso sem nem mesmo tocá-la?
Sem querer, suspirou com esse pensamento, um suspiro de resignação, talvez, por sua incapacidade em resistir a ele.
E, finalmente, o ouviu:
_ Por que o suspiro, minha cadela?
O simples som da voz dele a fez quase desfalecer. Ele chegara e agora sim se revelaria o motivo para ela estar ali; servi-lo.
Por isto esperara. Para isto se cuidara. Para isto, nesse momento - pensava - existia.
(Continua)...
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