Sentada no chão frio, presa pelas algemas, no canto da parede, a mordaça a impedir-lhe a fala e fazendo com que a saliva escorresse da boca para os seios desnudos e deslizasse pelo corpo, ela pensava em como chegara até ali, enquanto o casal, na cama, emitia gemidos de prazer.
Lutava para não olhar mas algo mais forte que ela não deixava que desviasse os olhos do casal.
As correntes apertavam-lhe o corpo, a posição era tremendamente incômoda, o piso frio e duro deixava-lhe as nádegas doloridas . A boca, muito aberta pela ball gag fazia com que seus maxilares doessem mas nada poderia doer mais que a humilhação. E não a humilhação imposta por ELE, mas pela vergonha de ter errado tanto a ponto de estar naquela situação. Culpava-se por isso. Por ter sido levada àquele motel no banco de trás do carro, como um objeto. Por ser levada a testemunhar, sem participar, daquele ato.
Sua intempestiva crise de ciúmes a levara àquela situação que, no fim, fora desejada por ela mesma. Era preciso expurgar sua culpa e sua vergonha e só um castigo desta natureza poderia tirar-lhe esse peso.
Resistia bravamente observando o casal que se deliciava um com o outro, entre tapas e beijos, carícias, gemidos, gritos de prazer. A visão, de onde ela estava, era limitada. Do chão não podia ver os corpos em sua totalidade em cima da cama mas o que via e ouvia era o suficiente. E o mais revelador e chocante: ela estava molhada. Sim, estava tremendamente excitada com a situação. Sua umidade já molhava o chão fazendo com que praticamente escorregasse em sua própria excitação.
Totalmente imóvel para não se machucar nas cordas que a prendiam, movia apenas o pescoço a fim de acompanhar os movimentos do par que, envolvidos um com o outro, ignoravam sua presença.
Vez ou outra uma lágrima escorria e ela não saberia dizer se de dor ou de uma certa euforia insana por estar participando daquilo que há algum tempo atrás consideraria loucura.
No entanto, naquele momento perdia-se entre sentimentos de dor e excitação que provocavam uma euforia difícil de explicar, caso tivesse que fazê-lo.
Esqueceu-se de quanto tempo ficou ali, entre observar o casal, excitar-se com isso e lembrar-se da situação que a levara até ali, sua crise de ciúmes, sua falta de respeito cobrando a ELE o que não lhe devia, usando palavras duras e acusadoras... e depois o pedido de perdão, a recusa dELE e a proposta, dela mesma, para consertar tudo passando por um castigo realmente difícil a fim provar sua lealdade, seu respeito e que sua obediência continuava intacta, que ainda era digna de continuar a servi-lo.
A ideia fora quase sua. O objeto do castigo: justamente aquela de quem ela tivera ciúmes. O que poderia ser mais contundente e libertador?
Um gemido mais alto tirou-a de seus devaneios, as respirações tornaram-se mais ofegantes, os gemidos mais altos e sensuais, estavam chegando ao final e um arrepio percorreu-lhe o corpo... o que ELE faria com ela depois de tudo?
O silêncio e os suspiros que se seguiram deram a certeza que o ato havia terminado. Ela não sabia se sentia alívio ou medo, afinal, seu destino estava incerto. Errara e estava sendo castigada mas ELE lhe devolveria a coleira? Permitiria que continuasse servindo-o?
A mulher levantou-se da cama e passou por ela sem olhá-la, em direção ao banheiro. ELE levantou-se lentamente da cama e caminhou em sua direção. Segurava o membro, tirando o preservativo e aproximando-se dela, tirou-lhe a mordaça com umas das mãos e oferecendo o pênis com a outra, disse-lhe: "Limpe. Limpe seu Dono".
A menção da palavra Dono encheu-a de alegria e esperança. Limpou, com toda destreza de que era capaz, usando a língua e os lábios, os restos daquele ato. Uma tristeza percorreu seus olhos quando lembrou que os restos que lambia poderiam ter sido seus... mas, disposta a redimir-se, não se deteria por muito tempo nessa tristeza, esmerando-se em fazer o trabalho ordenado e dar a ELE algum prazer, mesmo que talvez já não houvesse mais espaço naquele momento.
As mãos continuavam amarradas de forma que só sua boca trabalhava suavemente, demonstrando toda sua devoção e cuidado em limpá-lo, mas também toda a lascívia de que era capaz.
Para sua satisfação, conseguiu o que era para ela inesperado; ele voltou a excitar-se ficando totalmente ereto dentro de sua boca e depois de algumas estocadas que tanto a engasgavam quanto enchiam de prazer, inundou-lhe do líquido precioso que ela tanto quisera. Um prêmio, por ter suportado bravamente seu castigo.
Em seguida, ele segurou-a pelo queixo e disse-lhe: "Meu bichinho, foi preciso. Aprenda que é única para mim e sei disso, não preciso ser lembrado, não preciso ser cobrado e não quero que aconteça. Nunca mais. Parabéns por ter suportado o castigo, hoje você cresceu grandiosamente a meus olhos enquanto minha serva e seu lugar no meu coração e a meus pés, ninguém tira. E sei que no fundo se excitou, te conheço e sei o quanto está molhada mas não vou te dar o que quer, não hoje. É preciso que seu castigo cumpra seu ciclo. Agora você vai se vestir, ir embora e esperar até que eu a procure."
Ela foi, de coração leve e com um sorriso nos lábios, sonhando com o dia que estaria novamente aos pés dELE.
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