domingo, 28 de fevereiro de 2016

A Negociação

Às vezes leio por ai, em discussões nas redes sociais, que os antigos não se dispõem a orientar os novatos no meio BDSM.
Mais uma vez, julgamentos de quem não sabe o que diz. Falo não só por mim mas por tanta gente que conheço e que vem, através dos anos, orientando pessoas que têm a humildade de pedir ajuda (porque é verdade que nem todos a têm).
Elas chegam através dos blogs, por email, nos inbox das redes sociais pedindo um conselho, uma orientação que nunca são negados. Eu particularmente o faço com prazer e tendo a certeza de que é uma troca porque no momento que coloco minha experiência à disposição de alguém, estou também aprendendo e rememorando coisas muitas vezes esquecidas.
A questão é que, por não estarmos interessadas em ostentar títulos, como o de mentoras, por exemplo, essas orientações ficam em sigilo e os julgamentos seguem adiante. Não importa. O que importa de verdade é poder ajudar pessoas e trocar com essas pessoas e que elas sigam felizes.
O texto abaixo faz parte de uma série que escrevi tempos atrás, com esse intuito, de orientar iniciantes. Vez ou outra postarei alguns aqui, pode ser que ainda ajude alguém ou que sirva ao menos para formar opinião, pró ou contra, não importa.
Com carinho...


Na comunidade BDSM, a negociação é o tempo utilizado para conhecimento entre as partes, Dominante e submissa, que pretendem assumir uma relação D/s  e onde são feitos os acordos sobre as bases desse futuro relacionamento. Em conversas que podem ser virtuais, via telefone ou pessoalmente, as partes vão se conhecendo mutuamente e tomando ciência dos anseios, objetivos de cada um.
A negociação é uma etapa importante para quem vai iniciar uma relação de Dominação/submissão. É nesse tempo de conhecimento e muita conversa que  as partes firmam acordos sobre como a relação será conduzida: as práticas a serem utilizadas pelo Dominante, os limites da submissa, os direitos e deveres de ambos, o que esperam um do outro dentro da relação, a forma de tratamento a ser usada, a postura que a submissa deve assumir enquanto servir ao Dominante, o tempo que cada um tem para dedicar ao outro...   São inúmeros os itens a serem considerados nesse momento e é preciso total transparência de ambas as partes.


A importância da transparência na negociação

O Dominante, que vai usar a submissa, precisa estar ciente de detalhes de sua vida, de sua saúde, do que está disposta a experimentar, do que lhe causaria dano físico ou emocional, do que lhe causa medo ou pavor, do tempo que poderá disponibilizar para o Dono em virtude de compromissos de trabalho, família, etc.
Deve, também, explicitar o que deseja dela, de que forma quer ser servido, que práticas pretende utilizar e ser também transparente nas informações sobre si mesmo para gerar na submissa a confiança necessária.
A submissa, por sua vez, deve informá-lo de tudo isso com total clareza, sendo verdadeira e humilde, reconhecendo e expondo seus limites.
Inúmeros são os casos de submissas que, para impressionar o Dominante, colocam-se em risco dispondo-se a fazer práticas das quais não têm conhecimento ou não têm capacidade física ou emocional para praticar. E o resultado são traumas que podem ser levados para o resto da vida. Por isso é importante ser verdadeira e expor seus desejos mas também seus receios e inseguranças. O bom Dominante saberá compreender e aceitar, ou levá-la a despir-se desses medos para que possa servi-lo da maneira que deseja.
Para tal, reafirmamos, a conversa durante a negociação precisa ser clara e franca, com cada uma das partes colocando o que espera do outro,  respeitando-se as bases hierárquicas da relação.
O estado civil dos parceiros, se estão livres ou se têm relacionamentos baunilha ou mesmo outra relação D/s (no caso específico dos Dominantes), não deve ficar de fora. São detalhes que irão influenciar diretamente o relacionamento em relação a disponibilidade de tempo e comprometimento e por isso devem ficar claros.


"A pressa é inimiga da perfeição".

Esse dito popular vale em muito para as negociações no BDSM. Quanto mais as partes se conhecem, mais chances têm de estarem sintonizados um como outro, vindo assim a ter uma relação mais satisfatória para ambos.
Algumas pessoas, ansiosas por iniciarem a D/s, pulam a etapa da negociação e depois da relação iniciada descobrem que têm pouco ou nada em comum. E assim, a relação caminha rapidamente para o fim.
"Ele não é um bom Dominador" ou "Ela não era submissa o suficiente" são frases comuns quando uma relação assim termina. A verdade é que não se deram o tempo necessário para se  conhecerem e só depois descobriram que seus anseios  não estavam em sintonia. Ocorre aí um choque entre o que um espera e o que o outro pode ou quer dar, conflitos de opiniões, diferenças de objetivos, níveis diferentes de maturidade sexual ou de preparo para a vivência do BDSM, incompatibilidade de horários, entre outros,  o que levará o relacionamento ao fim gerando frustrações, inimizade e acusações de ambos os lados.


Cuidados durante a negociação

Quando você decide ter uma relação D/s está disposta a ser posse de alguém. Para isso, negociará com essa pessoa e ao fim da negociação, ocorre a entrega, a sua, ao Dominador tornando-se assim,  posse dele.
Você realmente já se imaginou sendo posse de alguém e em que tudo isso implica? Provavelmente não.
Ser posse de um Dominador significa que ele tornou-se seu Dono. Você entregou-se a ele de uma forma ampla e se colocou disponível em corpo e alma. É uma coisa grandiosa a entrega.
Para que essa entrega aconteça você deve ter total confiança no Dominador. Para ter confiança é preciso ter conhecimento não apenas do Dominante, do quanto ele domina as práticas, de quantos anos de experiência tem no BDSM ou do quanto sabe manejar um chicote, mas do homem por trás do Dominador, do seu caráter, sua vida.
Não são raros os casos de submissas que entregam-se sem ao menos saberem o nome real do Dominante. Nada sabem sobre sua vida, seu trabalho, onde moram...
Se você acredita que isso faz parte da submissão, saiba que não! Se vai entregar-se a alguém e colocar seu corpo e sua vida nas mãos de outra pessoa, mesmo que para um jogo de prazeres, nunca o faça para alguém que não confie em você o suficiente para lhe contar também detalhes de sua vida.
A confiança deve ser recíproca e, nesse caso específico, não há hierarquia.


Devo obedecer ao Dominante durante a negociação?

Quando uma submissa está negociando com um Dominador é comum que ele ordene que ela avise ao meio que frequenta que está em negociação. Esse aviso impedirá que outros Dominantes se aproximem na tentativa de também negociarem com ela. Durante a negociação o Dominante pode dar instruções à submissa de como proceder em relação a outros Dominantes e ao meio BDSM em geral, pois, uma vez que ela aceitou entrar em negociação, já está sob a guarda dele e deve seguir suas instruções.
Quanto a encontros, sessões ou mesmo sexo durante a negociação é da responsabilidade e consciência de cada um pois, sendo adultos, podem decidir consensualmente quanto a isto.
A negociação não tem um tempo definido, depende da vontade do Dominante ou do tempo que se leve até adquirir o conhecimento básico necessário entre as partes para que o relacionamento efetivamente se inicie.
A negociação termina quando o Dominante toma posse da submissa e dá a ela sua coleira, ou em caso de não se entenderem, dão por encerrada a negociação.


Manutenção dos acordos

Na relação D/s os acordos feitos na negociação devem ser mantidos. Alguns redigem contratos de submissão mas, por não terem valor legal, vale a palavra empenhada. Uma submissa que aceitou, durante a negociação, ter irmãs de coleira, não deverá mudar de ideia depois que a relação começa. Da mesma forma, um Dominador que prometeu exclusividade à submissa não deve, depois que a relação inicia, mudar de ideia e arrumar uma segunda escrava.
Entretanto, em se tratando de relações humanas, tudo é possível. Cabe, na intenção de alguma mudança nos acordos da negociação, o diálogo franco e honesto.
Por tudo isso é importante o conhecimento mútuo, não só da figura do Dominante ou da submissa, mas do caráter de ambos enquanto seres humanos, homem e mulher. Para isso é preciso tempo e empenho, não pular etapas e conter a ansiedade e a pressa.
Em nenhum tipo de relação homem/mulher é preciso tanto conhecimento um do outro quanto na relação D/s. Ali serão feitas práticas que envolvem riscos, serão experimentadas e vivenciadas fantasias e fetiches de toda ordem, o corpo da submissa será usado sem reservas pelo Dominador, portanto, é preciso grande conhecimento e confiança mútuas.



  {Λita}_ST 

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Porque Ele gosta assim...

... e adora as marquinhas.


É, morena, tá tudo bem
Sereno é quem tem
A paz de estar em par com Deus
Pode rir agora
Que o fio da maldade se enrola


Pra nós, todo o amor do mundo
Pra eles, o outro lado
Eu digo mal me quer
Ninguém escapa o peso de viver assim
Ser assim, eu não
Prefiro assim com você
Juntinho, sem caber de imaginar
Até o fim raiar


Pra nós, todo o amor do mundo
Pra eles, o outro lado
Eu digo mal me quer
Ninguém escapa o peso de viver assim


Ser assim, eu não
Prefiro assim com você
Juntinho, sem caber de imaginar
Até o fim raiar

Los Hermanos


É bom fazer a vontade do Dono ou fazer coisas que o agradem simplesmente porque sei que o agradam,
Toda submissa ou escrava tem verdadeiro prazer nisso, porque gosta, porque agradar ao Dono é sua missão, não imposta, mas escolhida e praticada com real satisfação.
Meu Dono adora marquinhas de sol. Diz sempre que quando me conheceu eu estava assim, bronzeada, e é assim que gosta de me ver.
Por alguns verões não pude fazer a vontade dEle, o sol não me faria bem, aliás, o sol não faz bem a ninguém, desde que não se tome os devidos cuidados, mas, agora, finalmente, depois do sol e cuidados tomados, apresento-vos: Λita morena


{Λita}_ST




sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Liturgia BDSM I


Como em toda sociedade, o BDSM tem suas regras, rituais e símbolos preestabelecidos, a diferença é que aqui são estabelecidos entre as partes, sempre na busca de atender suas fantasias e proporcionar maior prazer.
É, antes de tudo, ação expressa mediante palavras e gestos. Por isso, dizemos que a liturgia é feita de sinais sensíveis, que chegam aos nossos sentidos (tato, paladar, olfato, visão e audição).


As regras determinam como a submissa deve agir diante de seu Dominador. Os rituais definem as condutas que a submissa deve seguir dentro de uma determinada situação. Os símbolos são usados para criar um clima que contribua para aumentar a sensação de que a vida da submissa pertence aos caprichos e vontades de quem a domina.


Um dos símbolos mais significativos de uma Relação de Dominação e submissão (D/s) é a Coleira. Marca de propriedade de uma submissa que tem Dono. As coleiras podem ter diferentes propósitos, como por exemplo: virtuais, utilizadas nas redes sociais; as utilizadas nas sessões, normalmente, mais caracterizadas e as sociais, que são peças mais discretas para serem usadas pela submissa em seu dia a dia. Outro símbolo, bastante conhecido é o Contrato de Escravidão, um documento, sem efeito legal algum, que rege as bases da relação.


Um comportamento que é quase praxe no meio é a troca do nick da submissa. Geralmente quando a submissa se apresenta para o meio BDSM, ela escolhe por sua vontade, o nick com o qual se identifica. Ao tornar-se propriedade, caberá ao dominador, dependendo de suas posturas e convicções, escolher o nick que a submissa utilizará. Nos casos de minha submissas, por exemplo, eu não abro mão de escolher o nick que elas irão utilizar e todos devem ser iniciados pela letra K, uma marca registrada do Reino de K@.


Na criação do Reino, usei de simbologias, tais como: classes distintas de escravas identificadas por cores, vestimentas conforme a classe, coleiras reais e virtuais diferenciadas, emblemas, entre outros. Gosto muito de me servir de prática litúrgica para a realização das sessões também, uso velas, incenso, música, flores etc. Dentre os rituais o tratamento por “Senhor” que minhas escravas usam para se dirigirem a mim, o gesto de ajoelhar e beijar meus pés numa sessão real são exemplos de rituais litúrgicos que uso.


Liturgia são os símbolos usados para enriquecer as práticas. São os papéis a representar, com os seus respectivos comportamentos. Tom de voz, posicionamento corporal, código de segurança, iluminação, instrumentos, acessórios etc. Tudo o que contribui para dar mais emoção, encantar e possibilitar uma melhor e mais profunda imersão em nossas fantasias.


Independente dos símbolos e das ocasiões que são utilizados, o mais importante é o real significado que eles possuem.


Texto retirado do  http://reinodeka.com/
As imagens que ilustram este texto foram colhidas na Internet





sábado, 6 de fevereiro de 2016

Ao meu Arlequim




E chegou o Carnaval...
E Ele, apaixonado pela folia, se foi com sorriso estampado, promessas de muita diversão, muito riso, muita alegria desse meu folião.
E fico... esperando sua volta e desejando que Ele se divirta, que pule muito, cante, brinque, festeje, brinde à vida, beije muito e que ao final do Carnaval, volte feliz e renovado.
E, para os amores da folia, mesmo não sendo tão despojada quanto Florbela para dizer "bendita seja essa mulher, bendito seja o beijo dessa boca", seja uma ou sejam muitas,  quando Ele chegar, receberá o melhor dos beijos... o da espera.

Ao meu Arlequim...


Quanto riso, oh, quanta alegria
Mais de mil palhaços no salão
Arlequim está chorando
Pelo amor da Colombina
No meio da multidão

Quanto riso, oh, quanta alegria
Mais de mil palhaços no salão
Arlequim está chorando
Pelo amor da Colombina
No meio da multidão

Foi bom te ver outra vez
Está fazendo um ano
Foi no carnaval que passou
Eu sou aquele pierrô
Que te abraçou e te beijou meu amor

A mesma máscara negra
que esconde o teu rosto
Eu quero matar a saudade

Vou beijar-te agora
Não me leve a mal
Hoje é carnaval

Vou beijar-te agora
Não me leve a mal
Hoje é carnaval

Vou beijar-te agora
Não me leve a mal
Hoje é carnaval

Vou beijar-te agora
Não me leve a mal
Hoje é carnaval






quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

BDSM na prática



Escravas existem?


Pode uma mulher concordar em estar numa suposta situação onde não se possa escapar? A resposta é sim, desde que, essa situação preencha suas fantasias. Muitas mulheres que no dia a dia são fortes, seguras, determinadas e de sucesso profissional vivem o papel de escravas, imaginando serem, de forma consensual, humilhadas e castigadas. Confiança, respeito, cumplicidade, lealdade e principalmente amor são ingredientes dessa poção mágica.

Escravas têm prazer em ceder, colocar a vontade do Dominador em primeiro lugar, entregando a ele o poder que tem sobre si. Buscam desenvolver suas habilidades no melhor servir. Aprendem lidar com os seus medos e dificuldades. Fazem da entrega um dos valores primordiais no refinamento de suas habilidades.


O elo que une os sonhos à realidade, permitindo a superação de suas limitações, entendendo que são tratadas com os mesmos valores, mas de formas diferenciadas e de acordo com a sua personalidade.

Vivenciam um processo de autoconhecimento, na busca de seus desejos e consciência dos seus prazeres, que devem ser cuidadosamente lapidados, assim como uma rara jóia. A magia está na busca da felicidade ou o encanto se vai.


A Troca de Poder

Uma relação de dominação e submissão (D/s) está baseada na troca de poder consentida, que pode ocorrer pelas mais diversas razões, sendo que a maioria delas tem a ver com entrega, desejo e prazer sexual. Isso significa que uma pessoa escolhe livremente dar o controle de sua vida a outra pessoa.

Elas, de comum acordo, determinam o nível de entrega da relação. Para muitas pessoas essa entrega é parcial enquanto para outros é total, pelo menos na teoria, que muitas vezes não é tão próxima assim da realidade. A primeira vista, para muitas pessoas essa troca de poder pode parecer estranha, mas as preferências das pessoas que as vivem são diferentes e muitas vezes por serem diferentes são vistas com ressalvas por quem não consegue ir além do modelo adotado para uma relação convencional.


Ao contrário do que possa parecer, essa relação não tem nada a ver com maus tratos e abusos, estão sempre baseadas em entendimentos, aprendizado, crescimento e muito controle dos envolvidos.

Pessoas dos mais diferentes níveis e classes sociais vivem essas relações, desde as mais humildes até aquelas de boa formação cultural e todas tem idéias bastante claras sobre o que fazem e porque fazem. Provavelmente, você esteja ansioso para viver uma relação assim, mas não se esqueça: que não existem pessoas por aí dispostas a viverem esse tipo de relação sem que se tenha total confiança umas nas outras. Por isso, não deixe de dedicar parte do seu tempo para conhecer os conceitos, aprender como as coisas funcionam e o comportamento necessário para se seguir adiante nesse mundo de uma forma segura.


Texto retirado do  http://reinodeka.com/
As imagens que ilustram este texto foram colhidas na Internet



domingo, 24 de janeiro de 2016

A de Sempre, Toda Ela


Se eu vos disser: «tudo abandonei» 
É porque ela não é a do meu corpo, 
Eu nunca me gabei, 
Não é verdade 
E a bruma de fundo em que me movo 
Não sabe nunca se eu passei. 


O leque da sua boca, o reflexo dos seus olhos 
Sou eu o único a falar deles, 
O único a ser cingido 
Por esse espelho tão nulo em que o ar circula 
através de mim 


E o ar tem um rosto, um rosto amado, 
Um rosto amante, o teu rosto, 
A ti que não tens nome e que os outros ignoram, 
O mar diz-te: sobre mim, o céu diz-te: sobre mim, 


Os astros adivinham-te, as nuvens imaginam-te 
E o sangue espalhado nos melhores momentos, 
O sangue da generosidade 
Transporta-te com delícias. 


Canto a grande alegria de te cantar, 
A grande alegria de te ter ou te não ter, 
A candura de te esperar, a inocência de te 
conhecer, 


Ó tu que suprimes o esquecimento, a esperança e a ignorância, 


Que suprimes a ausência e que me pões no mundo, 
Eu canto por cantar, amo-te para cantar 
O mistério em que o amor me cria e se liberta. 


Tu és pura, tu és ainda mais pura do que eu próprio. 


Paul Eluard, in "Algumas das Palavras" 



sábado, 16 de janeiro de 2016

16 de janeiro


Hoje é meu aniversário.
Cinquenta e quatro anos.
Cin-quen-ta-e-qua-tro.
É meio assustador porque desde os cinquenta (postado aqui) penso nessa quantidade de anos e pergunto: Como assim? Como passou tudo isso e não vi? E por que não me sinto com essa idade toda?
Por outro lado, lembrando de tanta história que já tenho pra contar, às vezes acho que são cento e oito.
Meu problema com idade nunca foi a idade. Ah não, de jeito nenhum! Por isso sou grata e me orgulho de cada ano, cada história, cada cicatriz. Quem não vê passarem os anos é porque morreu cedo.
Meu problema é o tempo que corre rápido demais e nos atropela. Não seria mau ter muitos, muitos anos, se eles passassem mais devagar.
E se pudesse pedir alguma coisa seria que o tempo corresse menos pra parar em frente ao ipê roxo e olhar demoradamente com cara de boba, parar para cheirar a rosa mesmo que provoque espirro, sorrir para todas as caras fechadas e ficar esperando até receber retribuição, dançar ridiculamente aquela música só porque ninguém está olhando e descobrir estarrecida que tinha alguém olhando sim, passar horas vendo Ele dormir, conseguir ticar todos os itens da agenda do dia, ficar na cama mais cinco minutos e mais cinco e mais cinco e mais cinco até perder a hora ou o dia simplesmente porque não sou obrigada.
Mas não é hora de reclamar e sim de agradecer por cada dia desses cin-quen-ta-e-qua-tro com alma de vinte ou de quantos eu acordar no dia porque números nunca foram o mais importante, a menos que pudessem medir as melhores coisas da vida, como o amor.


Porque amar, desejar alguém, nos lembra que o coração não tem idade.
Então, ao meu Amor, obrigada por me renovar a alma e o coração, todos os dias.

{Λita}_ST




quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Desencontros

Foto colhida na internet

"Não existem mais submissas."
Esta é uma fala recorrente que ouvimos por aí.

Muitos Dons procurando submissas e não encontrando, é o que dizem a todo momento.
Concordo que para ser submissa deve haver uma predisposição, uma vontade intrínseca de servir. Sem isso, torna-se difícil, para não dizer impossível, que alguém possa ao menos intitular-se como tal, afinal, ninguém pode ser o que não quer ser.
Mas, se de um lado deve haver aptidão, do outro deve haver também disposição para extrair essa essência.

Submissas não se compram prontas em lojas. Não estarão expostas em vitrines com uma placa pendurada no pescoço indicando "obediente, servil e masoquista".
Para que um Dom tenha uma submissa à altura de seu gosto é necessário um trabalho de lapidação, de adestramento.

Mesmo as experientes, com anos de servidão, estiveram aptas para servir a outros Dons, com personalidades, gostos, experiências, fetiches e desejos diferentes.
E até mesmo nesses casos, o das experientes, é preciso dar direcionamento para que elas se encontrem dentro desta nova experiência.

Sendo assim, com todo o respeito aos Srs. Dominadores, pergunto: o que o senhor tem feito para encontrar uma submissa à sua altura? Tem se empenhado em treinar, ensinar? Tem gasto seu tempo dedicando-se a lapidar alguém? Ou espera que venha pronta e sabendo de cor e salteado todos os seus gostos, suas fantasias mais secretas e até como dirigir-se à sua pessoa?
Será que de fato não existem mais submissas ou se o que falta é a paciência para ensinar, direcionar? Será que não é a pressa, a urgência em TER que se sobrepõem à necessidade de "LEVAR A SER"?

Foto colhida na internet
Por outro lado, muitas submissas dizendo que não existem Dons à altura de sua submissão, procurando e esperando que o Dom perfeito apareça, montado num cavalo branco, pronto para cuidar, de posse de todos os acessórios que ELAS julgam necessários para a realização de uma boa sessão e sabedores de todos os caminhos e segredos do prazer que ELAS desejam ter, como se estes não fossem também seres humanos buscando crescer, aprimorar-se e sujeitos também a falhas.
É óbvio que as falhas aqui não referem-se a aspectos de segurança mas de falhas que podem ser administradas para que a conversação possa fluir.

Às vezes, grandes encontros poderiam acontecer se as pessoas tivessem um pouco mais de condescendência com as outras, se não se exasperassem por uma frase mal colocada, por um erro de interpretação, por algo que ainda não se aprendeu pois a vida é um grande aprendizado e ninguém, mas ninguém mesmo, sabe tudo.

Grandes experiências poderiam acontecer se as pessoas se dispusessem a aprender juntas, descobrir novos prazeres, ampliar horizontes, sem exigir que os(as) parceiros(as) saibam absolutamente tudo apenas por estarem em uma relação hierárquica, um sempre achando que o outro deve vir sabendo todos os prazeres e mazelas de sua posição na relação, não importa qual seja ela.

Foto colhida na internet
"Não se preocupe com a perfeição. Substitua a palavra "perfeição" por "totalidade". Não pense que você tem de ser perfeito, pense que tem de ser total. A totalidade dá a você uma dimensão diferente." (Osho)

Assim, quando encontrar alguém, procure saber se esta pessoa está disposta a entrar inteira, total, nesse caminho com V/você. Isto sim, é necessário. Perfeição não existe.
Pense nisso.


{Λita}_ST
Feliz Propriedade do Senhor da Torre

* Publicado originalmente no blog escravas & submissas em 11/04/2015

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Embriagai-vos!



Embriagai-vos



É necessário estar sempre bêbado. 
Tudo reduz a isso, eis o único problema.
Para não sentirdes o fardo horrível do tempo,


que vos abate e vos faz pender para a terra, 
é preciso que vos embriagueis sem tréguas. 
Mas de quê? 
De vinho, de poesia ou de virtude, 
como achardes melhor. Contanto que vos embriagueis. 



E, se algumas vezes, sobre os degraus de um palácio, 
sobre a verde relva de um fosso, 
ou na desolada solidão do vosso quarto, 



despertardes com a embriaguez já atenuada ou desaparecida, 
perguntai ao vento, à vaga, e a estrela e o pássaro 

e o relógio hão de vos responder: 
– É hora de embriagai-vos! 



Para não serdes os martirizados escravos do tempo, 
embriagai-vos; embriagai-vos, sem cessar! 
De vinho, de poesia, ou de virtude, 
como achardes melhor.


Charles Baudelaire


E eu, com todo respeito ao grande Baudelaire, vos digo:

Embriagai-vos, também, de amor.





{Λita}_ST

domingo, 27 de dezembro de 2015

O mais valioso dos presentes


Entre as festas, os encontros e reencontros, família reunida, trocas de presentes, de carinhos, votos de felicidades e a lembrança, que não se pode esquecer, do Aniversariante do dia, algumas coisas cintilantes como estrelas vão acontecendo para que nos sintamos presenteados.
Estes presentes, não têm preço.
Há alguns dias, nas trocas de comentários entre os seguidores e seguidos do meu blog, recebi muitos votos para um Natal feliz. E agradeço a todos que desejaram porque acredito, do fundo do coração, na energia positiva dessas manifestações. Muito obrigada mesmo, a todos.
Entre esses comentários havia um do Chefe Gostoso da Delicinha, do blog Química Perfeita, que costumo visitar e do qual gosto muito.
Disse ele o seguinte:

Chefe Gostoso disse...
Vita, 

Sei bem do que você fala, pois retomei o blog apenas em novembro de 2015 e já conheci pessoas incríveis como você.
Depreendo que você passará o Natal longe de seu Senhor, assim como eu passarei distante da Delicinha.
Eu sei que você já sabe disso, mas te contarei um segredo, enquanto todos tiverem congratulando seu Senhor pelo Natal, o pensamento dele, provavelmente, estará distante, pensando naquela mulher que sabe lhe dar um prazer único neste mundo.
Um Feliz Natal para você e o Sr. Torre.
Beijos,

Chefe Gostoso


Foi emocionante e profético.
Não que meu Dono não faça sempre isso; Ele faz.
Mas, no dia 24, em meio a festa de Natal em que eu estava, família reunida e quase na hora da ceia, perto da meia noite, meu telefone tocou.
Era meu Dono, falando de uma outra festa, a quilômetros dali, para me desejar Feliz Natal. Como disse, Ele sempre faz isso, mas, nesse momento, o olhar de outra pessoa, que havia praticamente profetizado isso, deu novas cores e dimensões a esse ato.
Que riqueza ser lembrada por alguém que estava tão longe, festejando, entre amigos e família, nesta hora! Como é raro e valioso estar no pensamento de alguém que, mesmo a quilômetros de distância, teve o pensamento voltado para mim por um instante, lembrou-se em um momento totalmente alheio a mim, um momento do qual não posso participar por inúmeros motivos mas onde acabei estando lá, pelo coração.
Coisas assim são importantes para qualquer pessoa mas, para uma escrava, são inestimáveis.

Foi motivo para uma noite feliz.


Obrigada Dono, por ser único no mundo e fazer sempre a diferença!
Por isso acredito mesmo que eu seja a escrava que nasceu com a lua na bunda (piada interna).
Obrigada  Chefe Gostoso da Delicinha por ter, com sua sensibilidade, me mostrado ainda mais quão valiosos são esses atos. Muitas felicidades e prazeres para vocês em 2016!


{Λita}_ST 



sábado, 19 de dezembro de 2015

O tempo


E o ano vem chegando ao fim.
Num  piscar de olhos acabou, como se o tempo viesse nos traindo e passando mais rápido. Como se nossas medidas de tempo, já obsoletas, não pudessem mais acompanhar. 



Há uns bons anos li que, segundo a física quântica, nós estamos vivendo, todos os dias, apenas dezesseis horas. E isso explica porque os dias, semanas e meses parecem "voar", porque vivemos correndo o dia todo, porque o que fazíamos antes em vinte e quatro horas, agora precisamos fazer em dezesseis horas; por estarmos experimentando um salto quântico dimensional.

Bem, nada entendo de física quântica mas é fato que o tempo tem corrido mais que eu e fica cada dia mais difícil alcançá-lo mesmo tendo pernas compridas... rs. Isso me põe a pensar que essas teorias poderiam sim, estar corretas.


Mas não vim aqui só falar do tempo, mas principalmente desejar a todos os amigos leitores, seguidores e visitantes um Feliz e Venturoso Natal.
A V/vocês, que tanto engrandeceram este espaço com suas visitas, silenciosas ou não, muito obrigada!


Gostaria que soubessem o quanto essa presença, esse carinho, me fez bem depois de tanto tempo fora, quase três anos.
Ser recebida com carinho pelos que aqui ficaram e fazer novos amigos foi realmente motivo de muitas alegrias nesse finalzinho de 2015.


Que o Natal não seja só mais uma data, uma festa, um  feriado, uma oportunidade de ganhar e retribuir presentes mas que seja um real momento de demonstrar amor. Amor de todas as formas, de todas as cores, um arco-íris de amor. Que tenhamos mais tempo para amar, apesar dos relógios.



A ilustre visita que não recebi não me deixará triste, guardarei comigo a esperança para o próximo ano. E deixo para vocês todo meu amor. 
E para o meu Dono amado, um Natal com todas as alegrias que Ele merece por ter me dado tantas alegrias e surpresas no decorrer do ano de 2015... mas destas, falo depois.
Volto ainda... o ano não terminou.

Para T/todos...



{Λita}_ST







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