"Decompor a luz
mistério de estrelas
paixão pela exatidão
caça aos vagalumes."
Foram muitos os contratempos que nos impediram de nos vermos nos últimos dois meses. Para acontecer mais um, bastava acontecer.
Tudo começou da pior maneira, ele não acordou. Insisti uma, duas, três vezes e nada. Teria continuado a insistir, ordem é ordem, mas o problema era a caixa postal que indicava cel desligado.
Desisti e resolvi esperar os acontecimentos, não sem antes enviar mensagem dizendo que cumpri a ordem e tentei o quanto pude.
"Na proximidade de fontes,
lagos e cachoeiras
braços e pernas e olhos,
todos mortos se misturam e clamam por vida."
Uma hora depois da combinada por nós Ele mandou enviou mensagem dizendo que sairia em trinta minutos. Isso me aliviou (Ele conseguiria vir!) e me deixou ansiosa (Meu Deus, Ele vem!).
Depois de um primeiro momento de letargia absorvendo a notícia, saí do choque para a ação... "tenho que começar a me arrumar'... mas, sabia que faria isso lentamente uma vez que ele estava ainda viajando. Uma viagem curta mas desde que se vá de uma cidade a outra, considero viagem.
Afinal, é o DONO, aquele que escolhemos e que vem fazer uso do que lhe pertence, pegar o que lhe foi ofertado.
Sinto a falta dele
como se me faltasse um dente na frente:
excrucitante.
Isso dá também fim a uma espera que pode ser de um dia, um mês ou até mais e que faz acumular desejos e sentimentos sem fim. Então, é forte. Não é apenas um encontro, é um acontecimento.
E para isso a escrava se prepara. Faz as unhas da cor que Ele gosta, deixa os cabelos brilhantes, a pele macia, escolhe a lingerie que Ele mal vai ver porque a intenção é sempre tirar...
Vagarosamente fui me preparando, quanto ele vencia quilômetro a quilômetro, a distância que nos separava.
Terminamos juntos. Ele, a viagem. Eu, a preparação.
E assim, nos encontramos.
"Que medo alegre, o de te esperar."
Fragmentos de "Estrela Perigosa", de Clarice Lispector
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