terça-feira, 1 de dezembro de 2015

A importância do alimento




O que alimenta uma escrava, sua submissão e o desejo de servir sempre mais e melhor?

Uma escrava nada pede, nada exige, pouco espera, mas, precisa ser alimentada.
Há o alimento do corpo que sacia os desejos, o gozo do seu senhor, seus fluidos, seu prazer.
Nada é mais compensador para uma escrava que dar prazeres ao seu DONO, ser usada por ele e depois, servir-se desse néctar que pode ser o líquido precioso de seu gozo ou seu olhar brilhando de satisfação.



O alimento da alma que a faz sentir-se sempre cativa são os cuidados do DONO, o sentir-se verdadeiramente cuidada e protegida, sentir-se posse.

O alimento da razão para que sinta vontade de continuar servindo depende dos atos de seu DONO, de sua dignidade, caráter e senso de justiça.

E finalmente, o alimento do coração, que vem da admiração e do amor que ela sente por ele e que vê recompensados ao receber um carinho, um afago, um elogio.


Tudo isso pode remeter a ideia de dependência. Seriam as escravas dependentes de seus DONOS?
Escravas são fortes. Submeter-se a alguém em um mundo onde as pessoas lutam ferozmente por igualdade, é um ato de força extrema.

Mas, toda relação depende de esforços de lado a lado e mesmo que esses esforços sejam claramente delimitados pela linha vertical da hierarquia, só com a ação de ambos pode funcionar.
A escrava submissa necessita de alimento. Sem isso, "sua submissão não encontra eco e mergulha no vazio" (Senhor da Torre).

Uma relação D/s, por mais que esteja delimitada pela verticalidade, necessita de compromisso mútuo. Não existe relação unilateral. Uma relação demanda esforços de ambos os lados para crescer, expandir-se, tornar-se forte e cúmplice.
Uma escrava bem alimentada e conduzida pode alçar vôos inimagináveis, vencer limites antes impensados. Sem alimento, seus esforços se esvaem, suas asas não se fortalecem e seus vôos não passam de fracas e débeis tentativas até que finalmente morre de inanição.

O que leva uma escrava a servir é sua própria essência mas o que a impulsiona a crescer na servidão é a ação do DONO, sua condução. De nada adianta ter uma coleira apertando o pescoço se a guia arrasta-se pelo chão.


Para servir é necessário ter a quem, assim como é necessário que esse alguém queira ser servido.
A escrava depende da necessidade de seu DONO por ela para que se sinta útil.
E como fazer isso? É necessário que o DONO esteja sempre presente? Nem sempre é possível. Há os compromissos familiares, os de trabalho, os compromissos diários que impedem que essa presença seja possível, principalmente se moram em cidades ou estados diferentes. A vida real, diferente dos romances retratados nos livros, tem suas demandas.
No entanto, se não é possível estar presente, é possível fazer-se presente.


Um email curto, uma ligação de alguns minutos, um sms, uma ordem inesperada, às vezes uma simples palavra podem trazer a luz, o alimento que a escrava necessita, fazendo-a sentir-se lembrada, afagada, estimulada a servir mais e melhor. São gestos simples que podem fazer uma grande diferença. A diferença entre ser Dominador e saber ser DONO.


Não existe, nos dias atuais e com toda tecnologia à disposição, pretexto que justifique falta de comunicação.
Sendo assim, fica a pergunta:


O Senhor já alimentou sua escrava hoje?





{Λita}_ST
Feliz propriedade do Senhor da Torre



*Agradecimentos especiais ao DONO desta escrava que vos escreve, que a alimenta, há oito anos, todos os dias.




sábado, 28 de novembro de 2015

Conexão

Quem é que pode parar os caminhos? 


E os rios cantando e correndo? 



E as folhas ao vento? E os ninhos? E a poesia? 



A poesia como um seio nascendo...


Mario Quintana








quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Ser...




A submissão é uma arte delicada, reservada para os que têm consciência de que é preciso um exercício constante. 
Ser submissa é estar presente, igualmente de corpo e alma, na relação. É andar de mãos dadas com os propósitos do DONO. É ser inteiramente cúmplice, pronta a atendê-lo ao menor sinal. 
Ser submissa é ser macia como seda, limpa como a pétala do lótus, leve como uma pena de passarinho, transparente como bolha de sabão, leal como uma cadela e discreta como uma gata. Ser submissa é saber reconhecer o momento de se recolher, silenciosamente. 
É ser "QUASE" imperceptível. É nem respirar... pra não incomodar. 
Ser submissa é: JAMAIS faltar... e NUNCA ser demais!

Texto de Amar Yasmine do Werther, do blog WERTHER e {W_[amar yasmine]}

Este texto, copiado e reproduzido muitas vezes por aí, inclusive sem os créditos da autoria, foi escrito por uma amiga e exemplo, amar yasmine, e é um dos mais belos que conheço sobre a submissão por encerrar tudo o que uma submissa deve ser para seu Dono. Um ideal que persigo, nem sempre consigo mas tento, para dar a quem merece. Simplesmente porque... merece! 


{Λita}_ST
Feliz propriedade do Senhor da Torre








domingo, 22 de novembro de 2015

Generosidade

De tudo, ao meu amor serei atento antes

E com tal zelo, e sempre, e tanto

Que mesmo em face do maior encanto

Dele se encante mais meu pensamento...

(Vinicius de Moraes)

Pedi emprestado ao poetinha estes versos. Não usei o soneto inteiro porque não seria preciso quando o que quero é falar de generosidade.
Não existe nenhuma receita para uma relação dar certo. Mas, sem dúvida, algumas coisas ajudam muito.
E, para qualquer tipo de relação, qualquer mesmo, inclusive as de Dominação/submissão há um componente muito importante que, quando existe, aproxima e aconchega as pessoas: a generosidade.

De tudo, ao meu amor serei atento antes...

Ser generoso com o parceiro é compreendê-lo, ajudá-lo, colocá-lo e colocar-se no lugar dele quando é preciso, estender a mão e afagar, ter pequenos e tocantes gestos que acabam tornando-se grandiosos e encantadores.

E com tal zelo, e sempre, e tanto...

Um Dono não precisa ser um algoz. Ele pode também ser encantador sem risco de perder o domínio porque a alguns gestos só cabe retribuir gratidão e amor... e uma submissão mais fervorosa.

Que mesmo em face do maior encanto...

Conquistar é uma arte, é um exercício diário que mantém a chama acesa. Gestos simples que podem fazer alguém imensamente feliz.

Dele se encante mais meu pensamento...



Uma flor pra vc


Escrava estou no xxxxxx trabalhando e senti uma vontade louca de te dar uma flor. Na impossibilidade de entrega-la pessoalmente, entrego virtualmente mas com o mesmo amor.

Te amo

Seu Dono

Enviado via iPhone



Obrigada senhor por toda a generosidade com esta escrava e pelo último gesto que não é o que estou contando aqui, de puro carinho e gentileza, mas um outro de profunda bondade e compreensão para com meus medos e ansiedades.

Te amo

Sua
{Λїtą}_ŞT





sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Comunicado

O Leo, do blog SeximaginariuM - A Celebração do Sexo, está fazendo uma interessante série de artigos sobre o BDSM.
No primeiro artigo da série, SABE O QUE É SPANKING? - UMA PRÁTICA #BDSM ele fala de forma bastante elucidativa, com imagens e boas explicações, sobre o assunto.
Vale a pena conferir.



Visite e comente.

Beijos a T/todos.







quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Igualdade x Desrespeito



Após atravessar a linha divisória do lado baunilha para a submissão passamos a ter um olhar mais crítico sobre as relações baunilha, até mesmo para as que tivemos.
A submissão nos confere um entendimento maior sobre essa dinâmica, não me perguntem o porquê, talvez seja pela depuração do olhar para o outro, o melhor entendimento dos processos do pensamento masculino em sua crueza e esplendor, o cultivo da temperança, da paciência para com essas diferenças ou a posição que ocupamos.

Talvez o olhar de baixo, ao contrário do que se possa imaginar, nos dê uma visão mais privilegiada e a verticalidade das relações D/s, por nos libertar das comparações e anseios de igualdade nos levem a uma compreensão resignada que, longe de ser nociva, leva a um entendimento do outro nunca antes experimentado.

Relações baunilha são obviamente relações de igualdade. Não existe hierarquia, os dois têm os mesmos direitos. A questão aqui é até onde vão esses direitos nesse tipo de relação e onde se atravessa a fronteira da igualdade para o desrespeito, a invasão.
Numa relação D/s o poder é ofertado ao outro, é dado de livre vontade àquele que Domina e nesse caso qualquer atitude invasiva está plenamente justificada e, muitas vezes, desejada.
Numa relação baunilha, onde há um acordo implícito de igualdade de direitos, até onde iriam de fato esses direitos?



Falando especificamente pelo lado de cá (ou de baixo, como preferirem), o da mulher em relação ao homem - até porque é esse o único lado que conheço - todo ser humano necessita de sua individualidade... o homem, obviamente, também. Precisa ser um para estar bem a dois. Precisa estar consigo mesmo, antes de mais nada, para se relacionar bem com a parceira. "Nós" significa "eu e você", não um em dois.

Diante disso, espantoso ver mulheres que em total desrespeito ao parceiro roubam-lhe a dignidade quando invadem seus espaços, sua privacidade, revisando contas e aparelhos celulares, abrindo correspondências, invadindo contas de email etc numa evidente falta de respeito à individualidade do outro, práticas que hoje em dia a própria justiça já considera criminosas.
E o mais espantoso é perceber o quanto os homens vão ficando reféns desses comportamentos desrespeitosos e invasivos, preocupando-se apenas em dar explicações, sem nunca questionar o porquê da invasão. Diante de alguma dúvida, o diálogo sincero será sempre melhor saída que esse tipo de violência invasiva que acaba por minar as relações.

Por isso, agradeço ter conhecido a submissão que me deu a oportunidade de perceber o quanto de desrespeito reside nessas atitudes, lição que levarei sempre comigo para a vida baunilha também.






{Λїtą}_ŞT
Feliz propriedade do Senhor da Torre



*Texto publicado originalmente em 17 de mai de 2014 no blog escravas & submissas





domingo, 15 de novembro de 2015

A espera



A espera

Apesar de toda minha ansiedade na espera, 
Não sabia, 
Que isso também é manter-se no Seu cativeiro. 
Sempre. 
Os “dias de todas as noites” rastejam devagar... 
E mais e mais eu O desejo. 
Insuportáveis horas e minutos: 
É a espera que antecede o momento, 
e Seus atos que brevemente chegam. 
E no derradeiro dia transbordo minhas impressões contidas. 
E enfeitiçada, jogo no ar, meus desejos secretos...
no ainda incompreendido Infinito. 

J_{pehr} 



Que toda espera se converta em dias gloriosamente perfeitos, como tem sido sempre.

Te espero

Sua...

{Λїtą}_ŞT











quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Cativar


“E foi então que apareceu a raposa:
– Bom dia – disse a raposa.
– Bom dia – respondeu educadamente o pequeno príncipe, que, olhando a sua volta, nada viu.
– Eu estou aqui, – disse a voz, debaixo da macieira...
– Quem és tu? – perguntou o principezinho. – Tu és bem bonita...
– Sou uma raposa – disse a raposa.
– Vem brincar comigo – propôs ele. – Estou tão triste...
– Eu não posso brincar contigo – disse a raposa. – Não me cativaram ainda.
– Ah! Desculpa – disse o principezinho. Mas, após refletir, acrescentou:
– Que quer dizer "cativar"?
– Tu não és daqui – disse a raposa.
– Que procuras? 



– Procuro os homens – disse o pequeno príncipe.
– Que quer dizer cativar?
– Os homens – disse a raposa – têm fuzis e caçam.
É assustador! Criam galinhas também. É a única coisa que fazem de interessante. Tu procuras galinhas?
– Não – disse o príncipe. – Eu procuro amigos.
– Que quer dizer “cativar”?
– É algo quase sempre esquecido – disse a raposa.
Significa "criar laços"...
– Criar laços?
– Exatamente, disse a raposa. Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim.
Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas.
Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...
– Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. 
Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol.
Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros me fazem entrar debaixo da terra. Os teus me chamarão para fora da toca, como se fossem música.



E depois, olha! Vês, lá longe, o campo de trigo?

Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! – Mas tu tens cabelos dourados.

E então será maravilhoso quando me tiverdes cativado. O trigo, que é dourado, fará com que me lembre de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...  
(Texto: SAINT-EXUPÉRY, Antoine de.)

E assim foi...




*Pet Play

Petplay é um jogo onde uma ou várias pessoas assumem o papel de um determinado animal.
Tem uma conotação lúdica, e, às vezes, até terapêutica.
No BDSM, o petplay é um jogo erótico, mas não necessariamente envolve práticas sexuais.

domingo, 8 de novembro de 2015

Mais carinho...



Desde que voltei a postar tenho sentido uma emoção a cada dia em passagens de pessoas queridas que deixam comentários por aqui, no convite para a  entrevista dada ao Leo no seu blog SeximaginariuM e agora, com o destaque do mês dado pela querida Sophysticada no blog The Cave.
Além disso, o lindo banner que a Lena Lopez - The Cave, Pensamento Indecente e  Blog da Helena  - fez do meu blog para colocar nos seus... muito obrigada a todos vocês!
Por tudo isso meu retorno tem sido muito emocionante e só fico cada dia mais feliz e certa de que é bom estar de volta e reatar esse convívio alegre.
Emocionada, agradeço a vocês, pessoas queridas que me fazem tão bem !



 {Λїtą}_ŞT

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Se Tu Viesses Ver-me...




Se tu viesses ver-me hoje à tardinha, 
A essa hora dos mágicos cansaços, 
Quando a noite de manso se avizinha, 
E me prendesses toda nos teus braços... 

Quando me lembra: esse sabor que tinha 
A tua boca... o eco dos teus passos... 
O teu riso de fonte... os teus abraços... 
Os teus beijos... a tua mão na minha... 

Se tu viesses quando, linda e louca, 
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo 
E é de seda vermelha e canta e ri 

E é como um cravo ao sol a minha boca... 
Quando os olhos se me cerram de desejo... 
E os meus braços se estendem para ti... 

Florbela Espanca, in "Charneca em Flor" 




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