Após atravessar a linha divisória do lado baunilha para a submissão passamos a ter um olhar mais crítico sobre as relações baunilha, até mesmo para as que tivemos.
A submissão nos confere um entendimento maior sobre essa dinâmica, não me perguntem o porquê, talvez seja pela depuração do olhar para o outro, o melhor entendimento dos processos do pensamento masculino em sua crueza e esplendor, o cultivo da temperança, da paciência para com essas diferenças ou a posição que ocupamos.
Talvez o olhar de baixo, ao contrário do que se possa imaginar, nos dê uma visão mais privilegiada e a verticalidade das relações D/s, por nos libertar das comparações e anseios de igualdade nos levem a uma compreensão resignada que, longe de ser nociva, leva a um entendimento do outro nunca antes experimentado.
Relações baunilha são obviamente relações de igualdade. Não existe hierarquia, os dois têm os mesmos direitos. A questão aqui é até onde vão esses direitos nesse tipo de relação e onde se atravessa a fronteira da igualdade para o desrespeito, a invasão.
Numa relação D/s o poder é ofertado ao outro, é dado de livre vontade àquele que Domina e nesse caso qualquer atitude invasiva está plenamente justificada e, muitas vezes, desejada.
Numa relação baunilha, onde há um acordo implícito de igualdade de direitos, até onde iriam de fato esses direitos?
Falando especificamente pelo lado de cá (ou de baixo, como preferirem), o da mulher em relação ao homem - até porque é esse o único lado que conheço - todo ser humano necessita de sua individualidade... o homem, obviamente, também. Precisa ser um para estar bem a dois. Precisa estar consigo mesmo, antes de mais nada, para se relacionar bem com a parceira. "Nós" significa "eu e você", não um em dois.
Diante disso, espantoso ver mulheres que em total desrespeito ao parceiro roubam-lhe a dignidade quando invadem seus espaços, sua privacidade, revisando contas e aparelhos celulares, abrindo correspondências, invadindo contas de email etc numa evidente falta de respeito à individualidade do outro, práticas que hoje em dia a própria justiça já considera criminosas.
E o mais espantoso é perceber o quanto os homens vão ficando reféns desses comportamentos desrespeitosos e invasivos, preocupando-se apenas em dar explicações, sem nunca questionar o porquê da invasão. Diante de alguma dúvida, o diálogo sincero será sempre melhor saída que esse tipo de violência invasiva que acaba por minar as relações.
Por isso, agradeço ter conhecido a submissão que me deu a oportunidade de perceber o quanto de desrespeito reside nessas atitudes, lição que levarei sempre comigo para a vida baunilha também.
{Λїtą}_ŞT
Feliz propriedade do Senhor da Torre
*Texto publicado originalmente em 17 de mai de 2014 no blog escravas & submissas