quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Igualdade x Desrespeito



Após atravessar a linha divisória do lado baunilha para a submissão passamos a ter um olhar mais crítico sobre as relações baunilha, até mesmo para as que tivemos.
A submissão nos confere um entendimento maior sobre essa dinâmica, não me perguntem o porquê, talvez seja pela depuração do olhar para o outro, o melhor entendimento dos processos do pensamento masculino em sua crueza e esplendor, o cultivo da temperança, da paciência para com essas diferenças ou a posição que ocupamos.

Talvez o olhar de baixo, ao contrário do que se possa imaginar, nos dê uma visão mais privilegiada e a verticalidade das relações D/s, por nos libertar das comparações e anseios de igualdade nos levem a uma compreensão resignada que, longe de ser nociva, leva a um entendimento do outro nunca antes experimentado.

Relações baunilha são obviamente relações de igualdade. Não existe hierarquia, os dois têm os mesmos direitos. A questão aqui é até onde vão esses direitos nesse tipo de relação e onde se atravessa a fronteira da igualdade para o desrespeito, a invasão.
Numa relação D/s o poder é ofertado ao outro, é dado de livre vontade àquele que Domina e nesse caso qualquer atitude invasiva está plenamente justificada e, muitas vezes, desejada.
Numa relação baunilha, onde há um acordo implícito de igualdade de direitos, até onde iriam de fato esses direitos?



Falando especificamente pelo lado de cá (ou de baixo, como preferirem), o da mulher em relação ao homem - até porque é esse o único lado que conheço - todo ser humano necessita de sua individualidade... o homem, obviamente, também. Precisa ser um para estar bem a dois. Precisa estar consigo mesmo, antes de mais nada, para se relacionar bem com a parceira. "Nós" significa "eu e você", não um em dois.

Diante disso, espantoso ver mulheres que em total desrespeito ao parceiro roubam-lhe a dignidade quando invadem seus espaços, sua privacidade, revisando contas e aparelhos celulares, abrindo correspondências, invadindo contas de email etc numa evidente falta de respeito à individualidade do outro, práticas que hoje em dia a própria justiça já considera criminosas.
E o mais espantoso é perceber o quanto os homens vão ficando reféns desses comportamentos desrespeitosos e invasivos, preocupando-se apenas em dar explicações, sem nunca questionar o porquê da invasão. Diante de alguma dúvida, o diálogo sincero será sempre melhor saída que esse tipo de violência invasiva que acaba por minar as relações.

Por isso, agradeço ter conhecido a submissão que me deu a oportunidade de perceber o quanto de desrespeito reside nessas atitudes, lição que levarei sempre comigo para a vida baunilha também.






{Λїtą}_ŞT
Feliz propriedade do Senhor da Torre



*Texto publicado originalmente em 17 de mai de 2014 no blog escravas & submissas





domingo, 15 de novembro de 2015

A espera



A espera

Apesar de toda minha ansiedade na espera, 
Não sabia, 
Que isso também é manter-se no Seu cativeiro. 
Sempre. 
Os “dias de todas as noites” rastejam devagar... 
E mais e mais eu O desejo. 
Insuportáveis horas e minutos: 
É a espera que antecede o momento, 
e Seus atos que brevemente chegam. 
E no derradeiro dia transbordo minhas impressões contidas. 
E enfeitiçada, jogo no ar, meus desejos secretos...
no ainda incompreendido Infinito. 

J_{pehr} 



Que toda espera se converta em dias gloriosamente perfeitos, como tem sido sempre.

Te espero

Sua...

{Λїtą}_ŞT











quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Cativar


“E foi então que apareceu a raposa:
– Bom dia – disse a raposa.
– Bom dia – respondeu educadamente o pequeno príncipe, que, olhando a sua volta, nada viu.
– Eu estou aqui, – disse a voz, debaixo da macieira...
– Quem és tu? – perguntou o principezinho. – Tu és bem bonita...
– Sou uma raposa – disse a raposa.
– Vem brincar comigo – propôs ele. – Estou tão triste...
– Eu não posso brincar contigo – disse a raposa. – Não me cativaram ainda.
– Ah! Desculpa – disse o principezinho. Mas, após refletir, acrescentou:
– Que quer dizer "cativar"?
– Tu não és daqui – disse a raposa.
– Que procuras? 



– Procuro os homens – disse o pequeno príncipe.
– Que quer dizer cativar?
– Os homens – disse a raposa – têm fuzis e caçam.
É assustador! Criam galinhas também. É a única coisa que fazem de interessante. Tu procuras galinhas?
– Não – disse o príncipe. – Eu procuro amigos.
– Que quer dizer “cativar”?
– É algo quase sempre esquecido – disse a raposa.
Significa "criar laços"...
– Criar laços?
– Exatamente, disse a raposa. Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim.
Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas.
Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...
– Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. 
Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol.
Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros me fazem entrar debaixo da terra. Os teus me chamarão para fora da toca, como se fossem música.



E depois, olha! Vês, lá longe, o campo de trigo?

Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! – Mas tu tens cabelos dourados.

E então será maravilhoso quando me tiverdes cativado. O trigo, que é dourado, fará com que me lembre de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...  
(Texto: SAINT-EXUPÉRY, Antoine de.)

E assim foi...




*Pet Play

Petplay é um jogo onde uma ou várias pessoas assumem o papel de um determinado animal.
Tem uma conotação lúdica, e, às vezes, até terapêutica.
No BDSM, o petplay é um jogo erótico, mas não necessariamente envolve práticas sexuais.

domingo, 8 de novembro de 2015

Mais carinho...



Desde que voltei a postar tenho sentido uma emoção a cada dia em passagens de pessoas queridas que deixam comentários por aqui, no convite para a  entrevista dada ao Leo no seu blog SeximaginariuM e agora, com o destaque do mês dado pela querida Sophysticada no blog The Cave.
Além disso, o lindo banner que a Lena Lopez - The Cave, Pensamento Indecente e  Blog da Helena  - fez do meu blog para colocar nos seus... muito obrigada a todos vocês!
Por tudo isso meu retorno tem sido muito emocionante e só fico cada dia mais feliz e certa de que é bom estar de volta e reatar esse convívio alegre.
Emocionada, agradeço a vocês, pessoas queridas que me fazem tão bem !



 {Λїtą}_ŞT

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Se Tu Viesses Ver-me...




Se tu viesses ver-me hoje à tardinha, 
A essa hora dos mágicos cansaços, 
Quando a noite de manso se avizinha, 
E me prendesses toda nos teus braços... 

Quando me lembra: esse sabor que tinha 
A tua boca... o eco dos teus passos... 
O teu riso de fonte... os teus abraços... 
Os teus beijos... a tua mão na minha... 

Se tu viesses quando, linda e louca, 
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo 
E é de seda vermelha e canta e ri 

E é como um cravo ao sol a minha boca... 
Quando os olhos se me cerram de desejo... 
E os meus braços se estendem para ti... 

Florbela Espanca, in "Charneca em Flor" 




terça-feira, 3 de novembro de 2015

Entrevista ao SeximaginariuM

Uma das minhas grandes alegrias em voltar à blogosfera, além de ter finalmente autorização do meu Dono para reabrir o blog, é a interação que se tem por aqui.
Esse clima de troca saudável entre os blogueiros é muito bacana e, ao retornar, reencontrei pessoas que continuaram por aqui com seus blogs e sites ativos, publicando e encantando.
Uma dessas pessoas que reencontrei foi o Leo, do superblog SeximaginariuM - A Celebração do Sexo, ativo há sete anos, e que gentilmente nos convidou, a mim e a meu Dono, para uma entrevista por querer falar um pouco sobre o tema BDSM. Aceitamos.


Depois de muitos papos em correspondências trocadas aí está a primeira parte da entrevista, que me deixou muito feliz, por poder falar a um público maior daquilo que nos encanta.



Visitem e comentem, ficarei muito feliz.

Beijos de {Λїtą}_ŞT


domingo, 1 de novembro de 2015

Para iniciar novembro...

... de boca cheia!



Homem da minha fome

Te quero nas noites todas
nos momentos de devassidão
quando me abro, pernas e bocas
e te tenho em meu tesão



e é você, é só você que eu quero
que eu busco em pensamento
que me chega como espero
teso, pronto, em movimento



é você que me sabe, me conhece
que vai me entrando devagar
que está no fio que a teia tece
que é o único do meu amar



é você que eu beijo lento
com a língua passeando
te molhando, arrepiando, acalento
que vai vertendo, molhando



é você, você e mais ninguém
que me toma em verdade
o homem a quem dei meu bem
e que me jorra em tempestade

(Maria Quitéria)



Digo sempre que um boquete é algo complicado porque depende do gosto do "freguês".
Meu Dono, lá no primeiro, há muito tempo atrás, me disse logo: "não sugue, cadela tem que babar o pau do Dono e se você suga, não baba".
E eu, que sempre me achei muito experiente nos "trabalhos", tive que afrouxar a boca, mudar o jeito.
Bem, penso que para encontrar a medida certa de cada um, que é um mistério, pode até depender de conhecer mais a fundo a pessoa mas, principalmente, de gostar da coisa.
Quem gosta faz bem feito.

Mas, só para começarmos o mês bem animadinhas, deixo aqui um texto interessante sobre essa "arte".




Beijos de {Λїtą}_ŞT


quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Vermelho como o pecado



"Qual vai ser?"


... Vermelho!
Do fogo que queima as almas
E as consome!
Vermelho da cor de ira,
Vermelho da cor da fome!
Vermelho como o pecado...
Que tomou minha alma exangue,
E como eu nasci plebeu,
Vermelho cor do meu sangue...
Ah! Meu amor! Os meus versos
A arderem de desejos!
São vermelhos, sim! Vermelhos,
Vermelhos como os meus beijos!... "

(Border, in "Poesia da Minha Avó"
Fragmento de Poema Vermelho)


Wax play é um tipo de prática onde o Dominante retém uma vela acesa ou cera derretida sobre o corpo do(a) submisso(a) e pinga ou despeja em sua pele nua. 

Há um número de sensações interessantes e sentimentos envolvidos no wax play:
Quando se está com os olhos vendados ou quando a cera está sendo pingada à sua volta, pode haver uma grande quantidade de tensão ou apreensão do(a) submisso(a) enquanto espera a próxima gota de cera quente sem saber em que temperatura estará ou onde será pingada.


Wax play pode ser combinado com bondage ou outras práticas e é geralmente muito prazeroso e apreciado por um grande número de praticantes de BDSM.

Fonte: escravas & submissas






domingo, 25 de outubro de 2015

Uma escrava é sempre nua


Uma escrava, para seu Dono, está sempre nua

Corpo nu, para ser usada

Alma nua, para ser desvendada



Coração nu, para ser sentida

Mente nua, para ser comandada

Essa nudez de tudo é sua melhor oferta a Ele, sua entrega


{Λїtą}_ŞT



"...uma mulher é feita de mistérios

tudo se esconde: os sonhos, as axilas, a vagina

ela envelhece e esconde uma menina

que permanece onde ela está agora

.

o homem que descobre uma mulher

será sempre o primeiro a ver a aurora."


Fragmento de Uma mulher, de Bruna Lombardi



quinta-feira, 22 de outubro de 2015

E o Amor?

E o amor?
Quem leu este título deve ter imediatamente pensado em nuvenzinhas cor de rosa mas o assunto é um pouco mais complexo.

Amor e BDSM são compatíveis? Há quem diga que não. Alguns combatem ferozmente essa ideia e não sem razão. A busca primordial no BDSM deveria ser pelo prazer, pela libertação, pela quebra de tabus e paradigmas, pelo romper de limites e assim, ir além do imaginável no mundo dos prazeres. Alguns pensam inclusive que seria perfeito se as relações BDSM fossem desvinculadas de sentimentos, a busca pelo prazer seria bem menos complicada. O mergulho da entrega pode se dar quando existe confiança entre os parceiros.

Mas... e quando o sentimento simplesmente acontece?
O que resulta dessa mistura? É possível manter o nível de uma D/s quando o sentimento aparece?
Cinquenta Tons à parte, não é incomum que pessoas que têm uma relação intensa e de alta cumplicidade como a D/s se apaixonem.


"Apaixonar-se pode ser mais científico do que você pensa, segundo uma pesquisa realizada pela Dra Stephanie Ortigue, da Universidade de Syracuse, nos Estados Unidos.
O estudo, uma revisão dos trabalhos anteriores sobre o amor, revelou que apaixonar-se pode provocar o mesmo sentimento de euforia que é causado pelo uso de cocaína, e também afeta áreas intelectuais do cérebro.
Os pesquisadores também descobriram que apaixonar-se é de uma rapidez estonteante: leva cerca de um quinto de segundo - isto mesmo, 0,2 segundo - para que uma pessoa fique irremediavelmente viciada no amor.
Os resultados do estudo foram publicados na revista Journal of Sexual Medicine.
Os resultados obtidos pela equipe da Dra Ortigue revelam que, quando uma pessoa se apaixona, 12 áreas do cérebro trabalham em conjunto para liberar químicos indutores de euforia, como dopamina, ocitocina e adrenalina.
O sentimento de amor também afeta funções cognitivas sofisticadas, tais como a representação mental, as metáforas e a imagem corporal.
Os resultados têm implicações importantes para a neurociência e para a pesquisa em saúde mental porque, quando o amor não é correspondido, ele pode se tornar uma causa significativa de estresse emocional e depressão..." (Leia mais em Base científica do Amor).

Independente das crenças, teorias e estudos sobre esse sentimento tão complexo, ele acontece. E pega de surpresa, sem chance de defesa e sem botão On/Off para desligar quando nos assalta.
Para amar basta ser humano e pensar que é possível controlar isso é tão imaturo quanto colocar estas relações SM em um nível apenas cor de rosa, romântico.
E estar em um relacionamento onde há entrega, cumplicidade, desejos, taras, fetiches, fantasias e a realização destas em comum, a chance é grande.

Como lidar com isso sem comprometer a relação?
É difícil não se deixar afetar. A paixão e o amor trazem no pacote outros sentimentos nada saudáveis para uma D/s: ciúmes, inseguranças e angústias, sentimentos de posse por parte do bottom. E o Top, caso se apaixone, pode passar a ter certas restrições em torturar o ser amado, em lhe causar dor física ou emocional, humilhá-lo, castigá-lo ou mesmo lidar com esses sentimentos do bottom...
Seria utópico afirmar que o sentimento possa ser ignorado, que tudo continue a ser como antes mas é possível sim manter um equilíbrio, rever novas formas de se relacionar e procurar ao máximo administrar a nova situação, mesclando esses dois mundos: o do sentimento e o do prazer sadomasoquista.

Cabe, a quem não quer perder o foco da D/s deixando que o lado SM da relação definhe, adaptar-se à nova situação com diálogo e um constante exame de consciência: "estou ainda desempenhando meu papel de sub/Dono ou deixando que o sentimento me afete?"... não parece fácil e realmente não é.
Alguns, quando assaltados pelo sentimento, acabam partindo para a relação baunilha e deixando, às vezes sem perceber,  a D/s se perder. Outros, mais temerosos pelos compromissos que o sentimento traz embutido, terminam a relação. Mas, quem se arrisca nessa tentativa pode ser agradavelmente surpreendido por uma relação rica e completa, cheia de dificuldades sim, com muitos desafios a enfrentar mas, deliciosa de se viver.

 {Λїtą}_ŞT 

*Publicado em 21 de ago de 2014 no blog escravas & submissas
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