Quem leu este título deve ter imediatamente pensado em nuvenzinhas cor de rosa mas o assunto é um pouco mais complexo.
Amor e BDSM são compatíveis? Há quem diga que não. Alguns combatem ferozmente essa ideia e não sem razão. A busca primordial no BDSM deveria ser pelo prazer, pela libertação, pela quebra de tabus e paradigmas, pelo romper de limites e assim, ir além do imaginável no mundo dos prazeres. Alguns pensam inclusive que seria perfeito se as relações BDSM fossem desvinculadas de sentimentos, a busca pelo prazer seria bem menos complicada. O mergulho da entrega pode se dar quando existe confiança entre os parceiros.
Mas... e quando o sentimento simplesmente acontece?
O que resulta dessa mistura? É possível manter o nível de uma D/s quando o sentimento aparece?
Cinquenta Tons à parte, não é incomum que pessoas que têm uma relação intensa e de alta cumplicidade como a D/s se apaixonem.
O estudo, uma revisão dos trabalhos anteriores sobre o amor, revelou que apaixonar-se pode provocar o mesmo sentimento de euforia que é causado pelo uso de cocaína, e também afeta áreas intelectuais do cérebro.
Os pesquisadores também descobriram que apaixonar-se é de uma rapidez estonteante: leva cerca de um quinto de segundo - isto mesmo, 0,2 segundo - para que uma pessoa fique irremediavelmente viciada no amor.
Os resultados do estudo foram publicados na revista Journal of Sexual Medicine.
Os resultados obtidos pela equipe da Dra Ortigue revelam que, quando uma pessoa se apaixona, 12 áreas do cérebro trabalham em conjunto para liberar químicos indutores de euforia, como dopamina, ocitocina e adrenalina.
O sentimento de amor também afeta funções cognitivas sofisticadas, tais como a representação mental, as metáforas e a imagem corporal.
Os resultados têm implicações importantes para a neurociência e para a pesquisa em saúde mental porque, quando o amor não é correspondido, ele pode se tornar uma causa significativa de estresse emocional e depressão..." (Leia mais em Base científica do Amor).
Independente das crenças, teorias e estudos sobre esse sentimento tão complexo, ele acontece. E pega de surpresa, sem chance de defesa e sem botão On/Off para desligar quando nos assalta.
Para amar basta ser humano e pensar que é possível controlar isso é tão imaturo quanto colocar estas relações SM em um nível apenas cor de rosa, romântico.
E estar em um relacionamento onde há entrega, cumplicidade, desejos, taras, fetiches, fantasias e a realização destas em comum, a chance é grande.
Como lidar com isso sem comprometer a relação?
É difícil não se deixar afetar. A paixão e o amor trazem no pacote outros sentimentos nada saudáveis para uma D/s: ciúmes, inseguranças e angústias, sentimentos de posse por parte do bottom. E o Top, caso se apaixone, pode passar a ter certas restrições em torturar o ser amado, em lhe causar dor física ou emocional, humilhá-lo, castigá-lo ou mesmo lidar com esses sentimentos do bottom...
Seria utópico afirmar que o sentimento possa ser ignorado, que tudo continue a ser como antes mas é possível sim manter um equilíbrio, rever novas formas de se relacionar e procurar ao máximo administrar a nova situação, mesclando esses dois mundos: o do sentimento e o do prazer sadomasoquista.
Cabe, a quem não quer perder o foco da D/s deixando que o lado SM da relação definhe, adaptar-se à nova situação com diálogo e um constante exame de consciência: "estou ainda desempenhando meu papel de sub/Dono ou deixando que o sentimento me afete?"... não parece fácil e realmente não é.
Alguns, quando assaltados pelo sentimento, acabam partindo para a relação baunilha e deixando, às vezes sem perceber, a D/s se perder. Outros, mais temerosos pelos compromissos que o sentimento traz embutido, terminam a relação. Mas, quem se arrisca nessa tentativa pode ser agradavelmente surpreendido por uma relação rica e completa, cheia de dificuldades sim, com muitos desafios a enfrentar mas, deliciosa de se viver.
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*Publicado em 21 de ago de 2014 no blog escravas & submissas

















