Ela acabara de sair do trabalho. Sentia-se cansada e desfeita, apesar de ter tentado arrumar-se um pouco antes de sair.
"Estou um lixo" - pensou.
Não, não estava preparada para o encontro. Sentia-se insegura não por Ele, mas por si própria, pela aparência, por tudo.
"Ele não vai gostar de mim".
Ficou vagando pelo local marcado, esperando um sinal.
Quando o celular tocou, sabia que era Ele. Sentindo um frio na barriga, atendeu. Tinha chegado!
"E agora, meu Deus?"
Mais algumas chamadas para confirmar a localização e o carro parava à beira da calçada, bem em frente a ela.
A porta se abriu e quando O viu, só conseguiu pensar: "Ele nunca mais volta aqui".
Era tão lindo... muito mais que tudo que vira nas imagens da webcam.
Entrou no carro tentando ser casual e disfarçar o nervosismo e a ansiedade.
Beijinhos no rosto.
"Onde está a intimidade conquistada em meses de negociação?"
"O Senhor não tem 34 anos" - disse tentando sorrir, achando-o muito mais jovem do que tinha dito.
E então viu o sorriso. Lindo. Encantador.
Ele mexeu na carteira e tirou um documento que devia ser o RG. Ela olhou e sorriu sem ver absolutamente nada do que estava escrito ali... como poderia? O sorriso tinha congelado na retina, ela não conseguia ver mais nada.
O caminho percorrido até o local combinado para a conversa não foi difícil. Falaram de coisas banais.
Enfim chegaram. Ele sentou-se na cama e ela no chão, aos pés dEle.
Ouviu toda a Sua história com olhos e ouvidos encantados. A dela, tinha sido contada detalhe por detalhe ao longo da negociação, não havia mais o que dizer, apenas ouvir.
Por alguns momentos viajava ao som dAquela voz, perdendo-se em pensamentos.
Ele era o trovador, recitando Sua história que ela, encantada, ouvia. Tinha altos e baixos, acertos e erros mas era toda deslumbrante ao som dAquela voz. As horas se passavam e ela mal percebeu quando chegou ao fim.
"Agora que ouviu toda a minha história, ainda quer ser minha?"
O SIM veio acompanhado de um sorriso, de promessas e sonhos como o de uma noiva no altar.
"Então vem cá" - Ele disse, estendendo os braços.
Naquele momento ela pensou que poderia morar pelo resto da vida dentro daquele abraço. Era terno, morno, acolhedor. Envolvia o corpo e a alma.
Em seguida o beijo. Tinha gosto de chiclete de melancia. Ela nunca mais esqueceria esse sabor enquanto vivesse.
Então recebeu a ordem para tirar os sapatos dEle. E pela primeira vez teve o privilégio de beijar Seus pés. Era como estar conhecendo a sua pátria, seu lugar no mundo. Era ali agora o seu lugar.
Nos momentos seguintes estava nua, de quatro como cadela que era, recebendo-o. Ele tomava posse do que conquistou com poder, firmeza, decisão e também carinho, cuidado, ternura. Foram momentos de prazer intenso, corpo e alma, mente e coração abrindo todas as portas Àquele que seria o Senhor de tudo ali. Acabava-se o "eu".
"Não sou... pertenço".
O tempo tinha se esgotado, Ele precisava ir. Ela sentiu pela primeira vez o vazio que sentiria sempre que Ele se vai.
Mas a entrega plena, sem limites e sem fim teve um começo. Começava ali.
Meu Senhor,
três anos depois desse encontro, tenho a felicidade de sentir as mesmas emoções a cada vez que Te vejo, de me encantar com Sua voz, de me arrepiar com Seus beijos, de me derreter em prazeres múltiplos quanto me toma, quando me usa, quando dá sentido ao que sou.
Te amo, Te admiro, Te respeito, Te quero, Te desejo ainda mais que naquele dia...
Parabéns... por nós!
Beijos encantados da sua {Λїtą}_ŞT
Fragmentos da nossa história