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sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Sobre ontem...

"Decompor a luz
mistério de estrelas
paixão pela exatidão
caça aos vagalumes."


Eu estava confiante, mas ansiosa.
Foram muitos os contratempos que nos impediram de nos vermos nos últimos dois meses. Para acontecer mais um, bastava acontecer.


Eu tinha ordem de acordá-lo para que não se atrasasse, afinal, Ele faria uma viagem.
Tudo começou da pior maneira, ele não acordou. Insisti uma, duas, três vezes e nada. Teria continuado a insistir, ordem é ordem, mas o problema era a caixa postal que indicava cel desligado.
Desisti e resolvi esperar os acontecimentos, não sem antes enviar mensagem dizendo que cumpri a ordem e tentei o quanto pude.

"Na proximidade de fontes,
lagos e cachoeiras
braços e pernas e olhos,
todos mortos se misturam e clamam por vida."


Uma hora depois da combinada por nós Ele mandou enviou mensagem dizendo que sairia em trinta minutos. Isso me aliviou (Ele conseguiria vir!) e me deixou ansiosa (Meu Deus, Ele vem!).
Depois de um primeiro momento de letargia absorvendo a notícia, saí do choque para a ação... "tenho que começar a me arrumar'... mas, sabia que faria isso lentamente uma vez que ele estava ainda viajando. Uma viagem curta mas desde que se vá de uma cidade a outra, considero viagem.


Não importa há quanto tempo se pertença a alguém, se há um mês, um ano ou dez, a ansiedade é sempre a mesma. Borboletas no estômago, frio na barriga, pernas bambas, arrepios na espinha, todas as coisas que costumam assaltar a qualquer pessoa no primeiro encontro, mesmo que sejam muitos, incontáveis primeiros encontros porque a sensação é sempre essa.
Afinal, é o DONO, aquele que escolhemos e que vem fazer uso do que lhe pertence, pegar o que lhe foi ofertado.

Sinto a falta dele
como se me faltasse um dente na frente:
excrucitante.

Isso dá também fim a uma espera que pode ser de um dia, um mês ou até mais e que faz acumular desejos e sentimentos sem fim. Então, é forte. Não é apenas um encontro, é um acontecimento.
E para isso a escrava se prepara. Faz as unhas da cor que Ele gosta, deixa os cabelos brilhantes, a pele macia, escolhe a lingerie que Ele mal vai ver porque a intenção é sempre tirar...



Vagarosamente fui me preparando, quanto ele vencia quilômetro a quilômetro, a distância que nos separava.
Terminamos juntos. Ele, a viagem. Eu, a preparação.
E assim, nos encontramos.

"Que medo alegre, o de te esperar."

Fragmentos de "Estrela Perigosa", de Clarice Lispector



{Λita}_ST



terça-feira, 1 de dezembro de 2015

A importância do alimento




O que alimenta uma escrava, sua submissão e o desejo de servir sempre mais e melhor?

Uma escrava nada pede, nada exige, pouco espera, mas, precisa ser alimentada.
Há o alimento do corpo que sacia os desejos, o gozo do seu senhor, seus fluidos, seu prazer.
Nada é mais compensador para uma escrava que dar prazeres ao seu DONO, ser usada por ele e depois, servir-se desse néctar que pode ser o líquido precioso de seu gozo ou seu olhar brilhando de satisfação.



O alimento da alma que a faz sentir-se sempre cativa são os cuidados do DONO, o sentir-se verdadeiramente cuidada e protegida, sentir-se posse.

O alimento da razão para que sinta vontade de continuar servindo depende dos atos de seu DONO, de sua dignidade, caráter e senso de justiça.

E finalmente, o alimento do coração, que vem da admiração e do amor que ela sente por ele e que vê recompensados ao receber um carinho, um afago, um elogio.


Tudo isso pode remeter a ideia de dependência. Seriam as escravas dependentes de seus DONOS?
Escravas são fortes. Submeter-se a alguém em um mundo onde as pessoas lutam ferozmente por igualdade, é um ato de força extrema.

Mas, toda relação depende de esforços de lado a lado e mesmo que esses esforços sejam claramente delimitados pela linha vertical da hierarquia, só com a ação de ambos pode funcionar.
A escrava submissa necessita de alimento. Sem isso, "sua submissão não encontra eco e mergulha no vazio" (Senhor da Torre).

Uma relação D/s, por mais que esteja delimitada pela verticalidade, necessita de compromisso mútuo. Não existe relação unilateral. Uma relação demanda esforços de ambos os lados para crescer, expandir-se, tornar-se forte e cúmplice.
Uma escrava bem alimentada e conduzida pode alçar vôos inimagináveis, vencer limites antes impensados. Sem alimento, seus esforços se esvaem, suas asas não se fortalecem e seus vôos não passam de fracas e débeis tentativas até que finalmente morre de inanição.

O que leva uma escrava a servir é sua própria essência mas o que a impulsiona a crescer na servidão é a ação do DONO, sua condução. De nada adianta ter uma coleira apertando o pescoço se a guia arrasta-se pelo chão.


Para servir é necessário ter a quem, assim como é necessário que esse alguém queira ser servido.
A escrava depende da necessidade de seu DONO por ela para que se sinta útil.
E como fazer isso? É necessário que o DONO esteja sempre presente? Nem sempre é possível. Há os compromissos familiares, os de trabalho, os compromissos diários que impedem que essa presença seja possível, principalmente se moram em cidades ou estados diferentes. A vida real, diferente dos romances retratados nos livros, tem suas demandas.
No entanto, se não é possível estar presente, é possível fazer-se presente.


Um email curto, uma ligação de alguns minutos, um sms, uma ordem inesperada, às vezes uma simples palavra podem trazer a luz, o alimento que a escrava necessita, fazendo-a sentir-se lembrada, afagada, estimulada a servir mais e melhor. São gestos simples que podem fazer uma grande diferença. A diferença entre ser Dominador e saber ser DONO.


Não existe, nos dias atuais e com toda tecnologia à disposição, pretexto que justifique falta de comunicação.
Sendo assim, fica a pergunta:


O Senhor já alimentou sua escrava hoje?





{Λita}_ST
Feliz propriedade do Senhor da Torre



*Agradecimentos especiais ao DONO desta escrava que vos escreve, que a alimenta, há oito anos, todos os dias.




quinta-feira, 22 de outubro de 2015

E o Amor?

E o amor?
Quem leu este título deve ter imediatamente pensado em nuvenzinhas cor de rosa mas o assunto é um pouco mais complexo.

Amor e BDSM são compatíveis? Há quem diga que não. Alguns combatem ferozmente essa ideia e não sem razão. A busca primordial no BDSM deveria ser pelo prazer, pela libertação, pela quebra de tabus e paradigmas, pelo romper de limites e assim, ir além do imaginável no mundo dos prazeres. Alguns pensam inclusive que seria perfeito se as relações BDSM fossem desvinculadas de sentimentos, a busca pelo prazer seria bem menos complicada. O mergulho da entrega pode se dar quando existe confiança entre os parceiros.

Mas... e quando o sentimento simplesmente acontece?
O que resulta dessa mistura? É possível manter o nível de uma D/s quando o sentimento aparece?
Cinquenta Tons à parte, não é incomum que pessoas que têm uma relação intensa e de alta cumplicidade como a D/s se apaixonem.


"Apaixonar-se pode ser mais científico do que você pensa, segundo uma pesquisa realizada pela Dra Stephanie Ortigue, da Universidade de Syracuse, nos Estados Unidos.
O estudo, uma revisão dos trabalhos anteriores sobre o amor, revelou que apaixonar-se pode provocar o mesmo sentimento de euforia que é causado pelo uso de cocaína, e também afeta áreas intelectuais do cérebro.
Os pesquisadores também descobriram que apaixonar-se é de uma rapidez estonteante: leva cerca de um quinto de segundo - isto mesmo, 0,2 segundo - para que uma pessoa fique irremediavelmente viciada no amor.
Os resultados do estudo foram publicados na revista Journal of Sexual Medicine.
Os resultados obtidos pela equipe da Dra Ortigue revelam que, quando uma pessoa se apaixona, 12 áreas do cérebro trabalham em conjunto para liberar químicos indutores de euforia, como dopamina, ocitocina e adrenalina.
O sentimento de amor também afeta funções cognitivas sofisticadas, tais como a representação mental, as metáforas e a imagem corporal.
Os resultados têm implicações importantes para a neurociência e para a pesquisa em saúde mental porque, quando o amor não é correspondido, ele pode se tornar uma causa significativa de estresse emocional e depressão..." (Leia mais em Base científica do Amor).

Independente das crenças, teorias e estudos sobre esse sentimento tão complexo, ele acontece. E pega de surpresa, sem chance de defesa e sem botão On/Off para desligar quando nos assalta.
Para amar basta ser humano e pensar que é possível controlar isso é tão imaturo quanto colocar estas relações SM em um nível apenas cor de rosa, romântico.
E estar em um relacionamento onde há entrega, cumplicidade, desejos, taras, fetiches, fantasias e a realização destas em comum, a chance é grande.

Como lidar com isso sem comprometer a relação?
É difícil não se deixar afetar. A paixão e o amor trazem no pacote outros sentimentos nada saudáveis para uma D/s: ciúmes, inseguranças e angústias, sentimentos de posse por parte do bottom. E o Top, caso se apaixone, pode passar a ter certas restrições em torturar o ser amado, em lhe causar dor física ou emocional, humilhá-lo, castigá-lo ou mesmo lidar com esses sentimentos do bottom...
Seria utópico afirmar que o sentimento possa ser ignorado, que tudo continue a ser como antes mas é possível sim manter um equilíbrio, rever novas formas de se relacionar e procurar ao máximo administrar a nova situação, mesclando esses dois mundos: o do sentimento e o do prazer sadomasoquista.

Cabe, a quem não quer perder o foco da D/s deixando que o lado SM da relação definhe, adaptar-se à nova situação com diálogo e um constante exame de consciência: "estou ainda desempenhando meu papel de sub/Dono ou deixando que o sentimento me afete?"... não parece fácil e realmente não é.
Alguns, quando assaltados pelo sentimento, acabam partindo para a relação baunilha e deixando, às vezes sem perceber,  a D/s se perder. Outros, mais temerosos pelos compromissos que o sentimento traz embutido, terminam a relação. Mas, quem se arrisca nessa tentativa pode ser agradavelmente surpreendido por uma relação rica e completa, cheia de dificuldades sim, com muitos desafios a enfrentar mas, deliciosa de se viver.

 {Λїtą}_ŞT 

*Publicado em 21 de ago de 2014 no blog escravas & submissas

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Transgressão




Tua. Não importa quão evoluído esteja o mundo lá fora. 
Tua. Não importa que posição eu ocupe nesse mundo. 
Tua. Não importa quantos leões sejam mortos ou quanto orgulho eu tenha de suas carcaças. 
Tua. Obediente a Ti. Essa é minha trangressão, minha resposta ao mundo, minha escolha, meu tesão. .










Tua, senhor... em constante construção, para Te servir.

{Λїtą}_ŞT 

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Pronome


Um sms no início da tarde:

Dono, preciso conversar com Vc mas com tempo... me diz quando posso te ligar? É um assunto nosso, importante. Beijos de amor.

Assunto nosso. O pronome ficou acariciando minha língua com textura de pelúcia... nosssssssssssssso.
Era um problema... mas era nosso. Nosso. N-O-S-S-O
Tão bom ter qualquer coisa com Ele. Um problema. Nosso.
Diante disso sumiu o problema, ficou o pronome.


(Imagem colhida na Internet sem identificação de autoria)



domingo, 11 de março de 2012

Quatro anos e meio a Seus pés!



E conquistados a cada dia, a cada passo, a cada alegria, a cada dificuldade, mas sempre com Suas mãos firmes a me guiar, com a conquista que nunca é esquecida, nunca é deixada de lado e que me mantém cativa, fiel, segura e apaixonada.
Parabéns por me conquistar a cada dia, parabéns por tudo que fez e faz por mim, por tudo que fez e faz de mim, parabéns por ser o Dono maravilhoso que é para esta escrava e parabéns por N/nós e por tudo que vivemos porque é real, intenso e vibra, pulsa e me encanta... sempre.

Te amo, Dono.


                                                               
 Sua {Λїtą}_ŞT
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