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sábado, 9 de julho de 2016

Sobre a verdade no BDSM



"A pior verdade é sempre melhor que a melhor mentira".
Este sempre foi meu lema até que a vida e a maturidade me ensinaram que nem tudo é tão preto no branco assim, afinal, entre um e outro há inúmeros tons de cinza. A maturidade nos torna mais flexíveis em relação ao mundo, às pessoas, a nós mesmos mas isso não adianta explicar, só vivendo para saber.
O fato é que nem toda mentira é tão mal intencionada e a  verdade indigesta é que, em algum momento, todos mentimos.
E depois desta descoberta "genial" passei a classificar a mentira em quatro grupos.
- A mentira de sobrevivência: muito usada para sair de uma situação comprometedora. 
- A mentira caridosa: É quando a verdade vai fazer mais mal do que bem a alguém, vai magoar ou ofender.
- A mentira cuidadosa: É quando a verdade vai fazer alguém sofrer de fato e esta é muito próxima da mentira caridosa também.
- A mentira destrutiva: É a mentira desnecessária, a que destrói, que traz decepção e que faz com que percamos a confiança em alguém.


Algumas pessoas mais radicais diriam que qualquer mentira é destrutiva e que nunca mentem. Se você está nesse grupo pare, respire, pense um pouco e vai descobrir que contou alguma mentirinha ontem ou talvez na semana passada.
Não, este texto não é para fazer apologia à mentira. Continuo acreditando que a verdade é sempre melhor e mais benéfica que qualquer mentira mas temos que reconhecer que a mentira, em certos momentos, facilita a convivência. Imaginem se só falássemos a verdade o tempo inteiro, nua e crua, sempre...
..."E dizer para a amiga que ela engordou muito e questionar como pôde se descuidar assim; que o vestido novo de uma outra é de péssimo gosto; que seu novo corte de cabelo não lhe caiu bem... a um amigo que se reclamasse menos da vida e se esforçasse mais na certa teria mais sucesso; ao chefe que chegamos atrasados porque no fundo a cama estava ótima; ao professor que não terminamos aquele trabalho porque a namorada estava em casa; à mãe que o almoço de domingo não estava tão saboroso assim"...  enfim, em alguns momentos, mentimos.


Alguns diriam que, mesmo nesses casos, a verdade é o melhor caminho, inclusive porque trata-se de franqueza. Eu penso que a franqueza mal administrada está muito próxima da falta de educação, da falta de gentileza e de bondade com as pessoas com quem convivemos. Ou seja, deixando de lado a auto defesa e a hipocrisia, mentimos. E sempre haverá uma justificativa para essas mentirinhas inocentes que chamamos de pretextos, desculpas, omissões mas que no fundo são o que são: mentiras.
Entretanto, se há algum momento em que a mentira nunca é bem vinda e sempre desnecessária é nas relações BDSM.
Nestas, estando os papéis muito bem definidos, a transparência é essencial. E por quê? Acaso estas relações são melhores que as outras? Não. Mas são relações onde a base tem que ser a confiança. E é óbvio que a base de qualquer relação deve ser esta nas sem confiança uma D/s, por exemplo, não funciona. Tudo transforma-se em um grande engodo. Um finge que manda, o outro finge que obedece e segue-se um sem fim de inverdades que, ao final, podem fazer tudo ruir.


Que necessidade tem um Dono de mentir à sua escrava se ela é de fato uma escrava e está ali para obedecê-lo e aceitar suas determinações, sejam quais forem, porque assim aceitou entrar na relação?
Que necessidade tem uma escrava de mentir a seu Dono se ele está ali não só para usá-la mas para ajudá-la a crescer na submissão e é seu dever, portanto, ouvi-la, entendê-la, aprimorá-la?
Por muito tempo acreditei que ser a melhor escrava, a que nunca reclama, a que apenas serve sem nada questionar seria o protótipo da escrava perfeita. Quanta pretensão! E quanta mentira nessas atitudes porque à medida que nos calamos diante de coisas que nos fazem realmente mal estamos não só mentindo mas trabalhando contra nós, contra nossa felicidade.
Não é o caso de ficar de mimimi a todo momento, isto é diferente. Mas de dizer, com o devido respeito, aquilo que realmente nos incomoda. 
Ninguém é perfeito, estamos em um caminho de aprendizado, sempre. Nunca estamos prontas. 


Então, se posso dizer algo a pessoas que têm relações desse tipo é: sejam transparentes, límpidos como a água mais pura.
Aos Donos, não escondam nada de suas escravas. Confiem que elas terão o discernimento suficiente para compreendê-los em qualquer circunstância. E se não tiverem, trabalhem isso nelas. Se não conseguirem, repensem a submissão delas ou sua própria dominação.
Às submissas e escravas, não soneguem sentimentos a seus Donos. Falem, com o respeito necessário, mas abram o coração. Seu Dono deverá ser compreensivo o suficiente para entender seus medos, suas inseguranças e lhes ajudar nisso. Se ele não puder fazer isso repense sua própria submissão ou a dominação dele.
A transparência cria intimidade, confiança, cumplicidade. Sem isso, nada faz sentido. E tem que vir dos dois lados, a verdade não obedece hierarquias, ela é soberana e tem algo de místico, de inexplicável porque não importa os caminhos que tome, ela sempre vem e nos encontra.


{Λita}_ST 




terça-feira, 24 de maio de 2016

Nem só de sexo selvagem...

... vive o BDSMer!


Hoje vou falar diretamente com meus amigos da blogosfera. Aqueles que me seguem e são seguidos por mim. Que me visitam e a quem eu, com muito gosto, visito também. Que comentam ou não minhas postagens e a quem retribuo na medida que posso mas sempre com muito prazer.
Sempre achei que é essa interação que nos estimula a continuar, a escrever, a contar histórias, a mostrar coisas. Quem escreve blog e põe no ar para não ser lido? Ninguém... e seria hipocrisia dizer o contrário.

Meu blog foi criado em 2007 e antes deste eu tinha outro onde contava e relatava também a história da relação anterior, aliás, com muito mais detalhes e muito mais fotos, o que constatei ser um erro e erros não devem ser repetidos. Mas, naquela época, meu blog era seguido em sua maioria por pessoas do mesmo meio que eu, o meio BDSM. E essas pessoas, naturalmente, consideravam normal o que eu postava, era fácil para ela entender certas posturas, certas práticas e os relatos e fotos, no geral.

Hoje, depois do aparecimento das redes sociais fetichistas onde se agrupam essas pessoas, os blogs caíram em desuso. Muitas pessoas pararam de postar neles, outras os tiraram mesmo do ar. Na rede social é mais fácil, mais tranquilo, estão entre iguais que vão compreendê-los (embora nem sempre seja fácil encontrar unidade lá também), mas o fato é que por conta dos perfis nessas redes as pessoas do meio pararam de postar em blogs. 


Diante disso, ao retornar com o meu blog, fora do ar por quase três anos devido a uma ordem do meu Dono (que, aliás, configurou-se para mim como um castigo), voltei. E lá não estavam mais os blogs dos praticantes, Eu sabia disso mas resolvi continuar e interagir com as pessoas que encontrasse. E encontrei (e me encontrei) entre pessoas que postam sobre sexo, poesia, sentimentos, até sobre moda, ou seja, os mais variados assuntos, o que é muito bom, essa diversidade faz com que as coisas não sejam monótonas.

Entretanto, em meio a pessoas tão diferentes, algumas muito sensíveis, poetas inclusive, as coisas que eu posto podem acabar chocando um pouco. E sei que sim porque estas pessoas manifestam isso abertamente nos comentários e, por isso, quero agradecer. Agradeço porque todas essas manifestações vêm imbuídas de muito respeito.

Não estou aqui para mostrar um mundo cor-de-rosa porque o BDSM definitivamente não é. Aliás, é por essa "pintura" que muitas pessoas se aventuram no meio e saem decepcionadas e até machucadas, não só fisicamente como emocionalmente também. Sendo assim,  a verdade do que vivo é o que mostro aqui. Sim, não são só flores. Sim, tem espinhos. A questão é que gosto disso e agradeço a quem consegue, mesmo sem entender, mesmo sem querer isso para si, respeitar. E vir aqui visitar, comentar... vocês são inestimáveis para mim.

Outrossim, ainda há algo que preciso esclarecer. 
O BDSM tem sim uma pegada mais forte, mais "violenta", não negaria isso. São os fatos e não há motivo para escondê-los.
No entanto, fazer sexo com carinho, com  preliminares, com doçura é bom para qualquer pessoa, ainda que seja praticante de BDSM, que não tem que ser só "porrada" e sexo selvagem o tempo todo.
Existem momentos e momentos, principalmente dentro de uma D/s (relação de Dominação e submissão onde um manda e o outro obedece) que, diferente do SM puro (relação entre o sádico e a masoquista onde o viés é o desejo de receber dor de um e de infligir dor do outro).


As D/s são relações mais completas onde cabem outros momentos de puro carinho, cuidados, amor e quaisquer sentimentos e ações de casal "normal", respeitando-se sempre a hierarquia, o conceito de que um manda e o outro obedece.
Alguns costumam chamar esses momentos de momentos baunilha, sexo baunilha, passeios baunilha...
Meu Dono não concorda com essa premissa dizendo que esses momentos que costumam chamar de baunilha só acontecem conosco por pura vontade e concessão dele, portanto, são D/s como quaisquer outros.

Nomenclaturas à parte, os momentos acontecem e são muito apreciados.
Gosto muito, assim como vocês, de sexo mansinho, cheio de carinho e isso toma até outros contornos para quem pratica BDSM porque, por não ser usual, acaba tornando-se algo diferente, muito bom e muito desejado também. Ou seja, nem só de sexo selvagem vivem os BDSMers, era o que eu queria esclarecer também.

No mais, agradeço mais uma vez a presença amiga, a interação, a compreensão e espero que estejamos juntos por muito tempo trocando e mantendo essa amizade que, embora virtual, me faz muito feliz, E peço perdão por qualquer coisa que tenha ou venha a chocar vocês,


Beijos de {Λїta}_ST 








quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Desencontros

Foto colhida na internet

"Não existem mais submissas."
Esta é uma fala recorrente que ouvimos por aí.

Muitos Dons procurando submissas e não encontrando, é o que dizem a todo momento.
Concordo que para ser submissa deve haver uma predisposição, uma vontade intrínseca de servir. Sem isso, torna-se difícil, para não dizer impossível, que alguém possa ao menos intitular-se como tal, afinal, ninguém pode ser o que não quer ser.
Mas, se de um lado deve haver aptidão, do outro deve haver também disposição para extrair essa essência.

Submissas não se compram prontas em lojas. Não estarão expostas em vitrines com uma placa pendurada no pescoço indicando "obediente, servil e masoquista".
Para que um Dom tenha uma submissa à altura de seu gosto é necessário um trabalho de lapidação, de adestramento.

Mesmo as experientes, com anos de servidão, estiveram aptas para servir a outros Dons, com personalidades, gostos, experiências, fetiches e desejos diferentes.
E até mesmo nesses casos, o das experientes, é preciso dar direcionamento para que elas se encontrem dentro desta nova experiência.

Sendo assim, com todo o respeito aos Srs. Dominadores, pergunto: o que o senhor tem feito para encontrar uma submissa à sua altura? Tem se empenhado em treinar, ensinar? Tem gasto seu tempo dedicando-se a lapidar alguém? Ou espera que venha pronta e sabendo de cor e salteado todos os seus gostos, suas fantasias mais secretas e até como dirigir-se à sua pessoa?
Será que de fato não existem mais submissas ou se o que falta é a paciência para ensinar, direcionar? Será que não é a pressa, a urgência em TER que se sobrepõem à necessidade de "LEVAR A SER"?

Foto colhida na internet
Por outro lado, muitas submissas dizendo que não existem Dons à altura de sua submissão, procurando e esperando que o Dom perfeito apareça, montado num cavalo branco, pronto para cuidar, de posse de todos os acessórios que ELAS julgam necessários para a realização de uma boa sessão e sabedores de todos os caminhos e segredos do prazer que ELAS desejam ter, como se estes não fossem também seres humanos buscando crescer, aprimorar-se e sujeitos também a falhas.
É óbvio que as falhas aqui não referem-se a aspectos de segurança mas de falhas que podem ser administradas para que a conversação possa fluir.

Às vezes, grandes encontros poderiam acontecer se as pessoas tivessem um pouco mais de condescendência com as outras, se não se exasperassem por uma frase mal colocada, por um erro de interpretação, por algo que ainda não se aprendeu pois a vida é um grande aprendizado e ninguém, mas ninguém mesmo, sabe tudo.

Grandes experiências poderiam acontecer se as pessoas se dispusessem a aprender juntas, descobrir novos prazeres, ampliar horizontes, sem exigir que os(as) parceiros(as) saibam absolutamente tudo apenas por estarem em uma relação hierárquica, um sempre achando que o outro deve vir sabendo todos os prazeres e mazelas de sua posição na relação, não importa qual seja ela.

Foto colhida na internet
"Não se preocupe com a perfeição. Substitua a palavra "perfeição" por "totalidade". Não pense que você tem de ser perfeito, pense que tem de ser total. A totalidade dá a você uma dimensão diferente." (Osho)

Assim, quando encontrar alguém, procure saber se esta pessoa está disposta a entrar inteira, total, nesse caminho com V/você. Isto sim, é necessário. Perfeição não existe.
Pense nisso.


{Λita}_ST
Feliz Propriedade do Senhor da Torre

* Publicado originalmente no blog escravas & submissas em 11/04/2015

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Sobre a saudade...


Tomara

Que a tristeza te convença
Que a saudade não compensa
E que a ausência não dá paz
E o verdadeiro amor de quem se ama
Tece a mesma antiga trama
Que não se desfaz

E a coisa mais divina
Que há no mundo
É viver cada segundo
Como nunca mais...

Vinicius de Moraes


Certa vez uma pessoa me disse que sentir saudade é bom.
Discordo.
Talvez porque as pessoas estejam sempre confundindo saudades com recordações... ou porque uma coisa leve à outra.
Recordar é relembrar momentos vividos, isso pode ser bom ou não, existem as boas e as más recordações. As boas geram saudades e as más, alívio.
Mas a saudade, quando é de alguém, é falta. É falta da voz, do toque, do cheiro, do efeito que a presença daquela pessoa provoca em você.
E falta é o vazio. Falta é o nada. Falta é falta.
E falta não pode ser boa. A única falta ruim é a falta de amor.
Então, se algum dia alguém me dissesse novamente que sentir saudade é bom, eu perguntaria:
Você ama?

 {Λita}_ST





terça-feira, 1 de dezembro de 2015

A importância do alimento




O que alimenta uma escrava, sua submissão e o desejo de servir sempre mais e melhor?

Uma escrava nada pede, nada exige, pouco espera, mas, precisa ser alimentada.
Há o alimento do corpo que sacia os desejos, o gozo do seu senhor, seus fluidos, seu prazer.
Nada é mais compensador para uma escrava que dar prazeres ao seu DONO, ser usada por ele e depois, servir-se desse néctar que pode ser o líquido precioso de seu gozo ou seu olhar brilhando de satisfação.



O alimento da alma que a faz sentir-se sempre cativa são os cuidados do DONO, o sentir-se verdadeiramente cuidada e protegida, sentir-se posse.

O alimento da razão para que sinta vontade de continuar servindo depende dos atos de seu DONO, de sua dignidade, caráter e senso de justiça.

E finalmente, o alimento do coração, que vem da admiração e do amor que ela sente por ele e que vê recompensados ao receber um carinho, um afago, um elogio.


Tudo isso pode remeter a ideia de dependência. Seriam as escravas dependentes de seus DONOS?
Escravas são fortes. Submeter-se a alguém em um mundo onde as pessoas lutam ferozmente por igualdade, é um ato de força extrema.

Mas, toda relação depende de esforços de lado a lado e mesmo que esses esforços sejam claramente delimitados pela linha vertical da hierarquia, só com a ação de ambos pode funcionar.
A escrava submissa necessita de alimento. Sem isso, "sua submissão não encontra eco e mergulha no vazio" (Senhor da Torre).

Uma relação D/s, por mais que esteja delimitada pela verticalidade, necessita de compromisso mútuo. Não existe relação unilateral. Uma relação demanda esforços de ambos os lados para crescer, expandir-se, tornar-se forte e cúmplice.
Uma escrava bem alimentada e conduzida pode alçar vôos inimagináveis, vencer limites antes impensados. Sem alimento, seus esforços se esvaem, suas asas não se fortalecem e seus vôos não passam de fracas e débeis tentativas até que finalmente morre de inanição.

O que leva uma escrava a servir é sua própria essência mas o que a impulsiona a crescer na servidão é a ação do DONO, sua condução. De nada adianta ter uma coleira apertando o pescoço se a guia arrasta-se pelo chão.


Para servir é necessário ter a quem, assim como é necessário que esse alguém queira ser servido.
A escrava depende da necessidade de seu DONO por ela para que se sinta útil.
E como fazer isso? É necessário que o DONO esteja sempre presente? Nem sempre é possível. Há os compromissos familiares, os de trabalho, os compromissos diários que impedem que essa presença seja possível, principalmente se moram em cidades ou estados diferentes. A vida real, diferente dos romances retratados nos livros, tem suas demandas.
No entanto, se não é possível estar presente, é possível fazer-se presente.


Um email curto, uma ligação de alguns minutos, um sms, uma ordem inesperada, às vezes uma simples palavra podem trazer a luz, o alimento que a escrava necessita, fazendo-a sentir-se lembrada, afagada, estimulada a servir mais e melhor. São gestos simples que podem fazer uma grande diferença. A diferença entre ser Dominador e saber ser DONO.


Não existe, nos dias atuais e com toda tecnologia à disposição, pretexto que justifique falta de comunicação.
Sendo assim, fica a pergunta:


O Senhor já alimentou sua escrava hoje?





{Λita}_ST
Feliz propriedade do Senhor da Torre



*Agradecimentos especiais ao DONO desta escrava que vos escreve, que a alimenta, há oito anos, todos os dias.




quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Igualdade x Desrespeito



Após atravessar a linha divisória do lado baunilha para a submissão passamos a ter um olhar mais crítico sobre as relações baunilha, até mesmo para as que tivemos.
A submissão nos confere um entendimento maior sobre essa dinâmica, não me perguntem o porquê, talvez seja pela depuração do olhar para o outro, o melhor entendimento dos processos do pensamento masculino em sua crueza e esplendor, o cultivo da temperança, da paciência para com essas diferenças ou a posição que ocupamos.

Talvez o olhar de baixo, ao contrário do que se possa imaginar, nos dê uma visão mais privilegiada e a verticalidade das relações D/s, por nos libertar das comparações e anseios de igualdade nos levem a uma compreensão resignada que, longe de ser nociva, leva a um entendimento do outro nunca antes experimentado.

Relações baunilha são obviamente relações de igualdade. Não existe hierarquia, os dois têm os mesmos direitos. A questão aqui é até onde vão esses direitos nesse tipo de relação e onde se atravessa a fronteira da igualdade para o desrespeito, a invasão.
Numa relação D/s o poder é ofertado ao outro, é dado de livre vontade àquele que Domina e nesse caso qualquer atitude invasiva está plenamente justificada e, muitas vezes, desejada.
Numa relação baunilha, onde há um acordo implícito de igualdade de direitos, até onde iriam de fato esses direitos?



Falando especificamente pelo lado de cá (ou de baixo, como preferirem), o da mulher em relação ao homem - até porque é esse o único lado que conheço - todo ser humano necessita de sua individualidade... o homem, obviamente, também. Precisa ser um para estar bem a dois. Precisa estar consigo mesmo, antes de mais nada, para se relacionar bem com a parceira. "Nós" significa "eu e você", não um em dois.

Diante disso, espantoso ver mulheres que em total desrespeito ao parceiro roubam-lhe a dignidade quando invadem seus espaços, sua privacidade, revisando contas e aparelhos celulares, abrindo correspondências, invadindo contas de email etc numa evidente falta de respeito à individualidade do outro, práticas que hoje em dia a própria justiça já considera criminosas.
E o mais espantoso é perceber o quanto os homens vão ficando reféns desses comportamentos desrespeitosos e invasivos, preocupando-se apenas em dar explicações, sem nunca questionar o porquê da invasão. Diante de alguma dúvida, o diálogo sincero será sempre melhor saída que esse tipo de violência invasiva que acaba por minar as relações.

Por isso, agradeço ter conhecido a submissão que me deu a oportunidade de perceber o quanto de desrespeito reside nessas atitudes, lição que levarei sempre comigo para a vida baunilha também.






{Λїtą}_ŞT
Feliz propriedade do Senhor da Torre



*Texto publicado originalmente em 17 de mai de 2014 no blog escravas & submissas





quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Sobre plantas e escravas...


Esta é a imagem de uma de minhas plantinhas que adoro ter... tenho várias.
Gosto do verde delas, do frescor, de como crescem, de como algumas florescem, gosto de como elas enfeitam minha varanda. Por isso as tenho.
Elas naturalmente não me pedem nada. Nada cobram ou exigem.
Mas, mesmo que não peçam, mesmo que nada esperem de mim, sei que minha obrigação é cuidar delas.
Se, pelo fato de não cobrarem eu for negligente com elas, deixar de cuidar, deixar de regar, é óbvio o que vai acontecer; irão perder o frescor, irão murchar e no fim, até morrer.
Sendo assim, o fato de não me pedirem nada, de nada esperarem de mim, não me tira em absoluto a responsabilidade de cuidar.

E o que tem isso a ver com o assunto deste blog?

Tudo.

Uma escrava, da mesma forma, nada pede, nada exige, pouco espera.
Isso não tira do Dono a responsabilidade de cuidar; a escrava é plena, serena, comprometida, disposta e feliz quando é cuidada. Quando não, murcha, sua submissão cai no vazio do desencanto.
O fato de nada pedirem não tira do Dono, em absoluto, a responsabilidade de cuidar do que possui.

Arquivo pessoal. Proibido copiar

Por tudo isso agradeço ao meu Dono Senhor da Torre que, mesmo que eu nada peça ou exija, cuida, alimenta, rega a minha submissão mantendo-me entregue, disposta a atendê-lo sempre e cada dia com mais empenho e amor.

Seria perfeito se todos pudessem ter esse entendimento para que nenhuma submissão se perca, murche e caia no desencanto.


{Λїtą}_ŞT

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Minha mensagem para 2012

Eu não uso meu blog como uma arma. Uso-o para deixar aqui meus melhores sentimentos. 
Abomino quem faz uso de blogs, frases de status e afins para mandar recados, alfinetar pessoas, fomentar celeumas embora cada um tenha o direito de fazer o que quiser do seu, enfim... é de fato uma mensagem. Uma mensagem sem endereço, apenas para reflexão e para desejar que em 2012 as pessoas possam julgar os outros usando a mesma medida que usam para si mesmas.

A vidraça suja


Um casal, recém casados, mudou-se para um bairro muito tranquilo.

Na primeira manhã que passavam na casa, enquanto tomavam café, a mulher reparou através da janela em uma vizinha que pendurava lençóis no varal e comentou com o marido:

- Que lençóis sujos ela está pendurando no varal!

Provavelmente está precisando de um sabão novo. Se eu tivesse intimidade perguntaria se ela quer que eu a ensine a lavar as roupas!

O marido observou calado.

Alguns dias depois, novamente, durante o café da manhã, a vizinha pendurava lençóis no varal e a mulher comentou com o marido:

- Nossa vizinha continua pendurando os lençóis sujos! Se eu tivesse intimidade perguntaria se ela quer que eu a ensine a lavar as roupas!

E assim, a cada dois ou três dias, a mulher repetia seu discurso, enquanto a vizinha pendurava suas roupas no varal.

Passado um mês a mulher se surpreendeu ao ver os lençóis brancos, alvissimamente brancos, sendo estendidos, e empolgada foi dizer ao marido:

- Veja ! Ela aprendeu a lavar as roupas, será que a outra vizinha ensinou !? Porque , não fui eu que a ensinei.

O marido calmamente respondeu:

- Não, é que hoje eu levantei mais cedo e lavei os vidros da nossa janela!

E assim é.

Tudo depende da janela através da qual observamos os fatos.

Antes de criticar, verifique se você fez alguma coisa para contribuir; verifique seus próprios defeitos e limitações.

Devemos olhar, antes de tudo, para nossa própria casa, para dentro de nós mesmos.

Só assim poderemos ter real noção do real valor de nossos amigos.

Lave sua vidraça.

Abra sua janela.

E um Feliz 2012 para todos são os meus mais sinceros votos!

{Λїtą}_ŞT

terça-feira, 25 de outubro de 2011

O poder da Dominação

Enquanto parabenizava a lindíssima ÍsisdoJUN em sua comemoração pelos quatro anos de relacionamento, uma frase (minha mesmo) despertou-me para o assunto de agora.
Tanto se fala e exalta a submissão por aqui (delírio meu agora pq atualmente somos acéfalas, abobrinhas, submissas campainha dizendo sim, Dom... sim, Dom... e na certa pq falei disso alguém vai dizer: "olha lá a véia com inveja da gente pq já está no grupo da terceira idade"... mas tudo bem e voltando ao assunto) minha própria frase levou-me a pensar e fatalmente a me encantar como sempre me encantei com o fascinante "ofício" da Dominação.
Ao deparar-me com essa comemoração, quatro anos, veio-me à mente a ideia de homenagear esses valorosos senhores que conseguem cativar a submissão de mulheres que em pleno século XXI são guerreiras, atuantes na sociedade, trabalhadoras, lutadoras, verdadeiras leoas na vida e as mantêm sob seus pés por meses, anos, servindo-os.
Que força extraordinária tem a Dominação, que poder grandioso tem aqueles que conseguem dia após dia conquistar a submissão de sua escrava!

Parodiando a frase cujo autor desconheço (e se alguém conhecer me ajude) é muito fácil conquistar uma por dia mas conquistar a submissão da mesma mulher todos os dias mantendo-a cativa a seus pés, pulsando, desejando, fazendo-a verdadeira puta para si, obediente a seus desejos, leal, fervorosa é tarefa hercúlea, para quem tem pulso firme, mãos de ferro e muita determinação.
A esses senhores, minha sincera admiração.
E ao poderoso Senhor da Torre, que mantém cativa há 4 anos, 1 mês e 13 dias esta humilde escrava que vos escreve, meu imenso amor e respeito.



{Λїtą}_ŞT

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

P'ra não dizer que não falei de flores...

Em tempos de guerra e antes que a primavera se vá...




quis plantar um canteirinho.









 {Λїtą}_ŞT

terça-feira, 5 de abril de 2011

Apenas uma reflexão

Eu ia postar hoje sobre a entrega e mais uma vez seria um post dedicado ao meu Dono, assim como tudo aqui. Mas hoje quis dedicar o espaço a outras pessoas.
Ia colocar aqui um texto e, como não poderia deixar de ser, uma foto minha.
Mas justamente por ter refletido bastante sobre o assunto, pensei muito nas minhas amigas que perderam a coleira recentemente.
Nao vou citar nomes aqui, não é preciso que eu as exponha e muito menos o quanto sinto por elas, pois conhecem meus sentimentos.
Mas me pergunto:
De quanta abnegação se faz uma entrega?
Quantos sonhos, planos, aspirações?
Quantos limites quebrados, quanta força, determinação e coragem despendida nesses atos?
Quanta dedicação e amor nesta servidão?
Quantas renúncias na vida pessoal?
Sim, senhoras e senhores... renúncias na vida pessoal!
Está mentindo quem disser que não mexeu em sua vida pessoal porque até pintar as unhas da cor que o Dono escolheu é mexer na vida pessoal sim!
E este é apenas um exemplo bobo.

 
Claro, escolhemos assim. Nada a reclamar, senhoras e senhores. É apenas uma reflexão.


E aí por qualquer problema na vida do Dono, descarta-se a escrava.
Problema de trabalho? "Tire a coleira, escrava!"
Problema de família?  "Tire a coleira, escrava!"
Dor de barriga, cistite, pancreatite, pneumonia? "Tire a coleira, escrava!"
Roubaram o carro? Quebrou a perna? "Tire a coleira, escrava!"
Terremoto no Japão? "Tire a coleira, escrava!"
Carne nova no pedaço? "Tire a coleira, escrava... e siga seu caminho."



Claro, escolhemos assim. Nada a reclamar, senhoras e senhores. É apenas uma reflexão.

Mas a cada uma destas meninas amigas que perderam suas coleiras recentemente, gostaria de dizer apenas uma coisa:
Sim, siga seu caminho. Não deixe que nada abale sua essência, sua capacidade de servir. E do humilde lugar que ocupa, lá de baixo, olhe para cima e diga:
- Senhor, o que és jamais mudará o que sou.

{Λїtą}_ŞT

sábado, 14 de agosto de 2010

Tua Voz


Dia de sol e a saudade de sempre. 
Porque saudade tem com sol e chuva, vento e brisa, tempestade e bonança.
E de repente o cel toca. 
Será???
Na dúvida, a corrida até ele.
_ Alô? _ E a música começa a tocar. 
Sons de violinos passam por entre as palavras, sejam quais forem.
As de amor, as do dia a dia, as de planos, de conquistas e de problemas. 
Tudo é melodia... Tua voz.

{Λїtą}_ŞT

(Domingo, 8 de agosto de 2010)
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