Nem só de BDSM vive este blog.
Ele vive de mim, do que sinto ou penso, das histórias com meu Dono e da nossa relação. E embora eu evite colocar coisas que estejam fora desse tema, às vezes tenho vontade de contar outras histórias... e hoje vou contar uma que nem é nossa, embora tenha a ver conosco.
Antes de mais nada preciso dizer que meu Dono é um ótimo contador de histórias. É daquelas pessoas que têm o dom para a coisa, que quando conta algo nos faz sentir todas as emoções como se as estivéssemos vivendo e, por isso, nunca me canso de ouvi-lo.
Passear com ele é sempre uma gostosa aventura, principalmente se estamos em sua cidade. Além de conhecer os lugares mais lindos dela, ele conhece também a história desses lugares. E conta, daquele jeito que só ele sabe, me fazendo ficar embevecida e babona, ouvindo.
Mas nem só de cantos e recantos lindos vive a cidade maravilhosa. Às vezes, até em um canto nem tão bonito assim podemos ver coisas muito belas e significativas... e essa foi uma das histórias que ele me contou e que minha memória curta não saberia mais reproduzir fielmente.
Por isso, peço ajuda aos universitários no blog Mente Aberta para contar a história do Profeta Gentileza.
Um dia, nos arredores da rodoviária onde Dono tinha ido me pegar (ou levar, não me lembro bem) acabamos inevitavelmente passando pelas pilastras do Viaduto do Caju e assim, ele passou a contar a história daquelas inscrições que podem ser vistas em 56 dessas pilastras e também em camisetas, faixas, etc e que eu já havia visto mas que sempre julguei serem fruto de alguma campanha publicitária, algo assim. Não era nada disso, essas placas passam pela história de José Datrino, mais conhecido como Profeta Gentileza.
Gentileza nasceu em 11/04/1917 no bairro de Cafelândia (São Paulo) onde vivia com seus pais e onze irmãos. Durante sua infância era "obrigado" a trabalhar nas terras locais cuidando dos animais e em determinados momentos havia a necessidade de trabalhar puxando carroças vendendo lenha para ajudar sua família. O campo ensinou José Datrino a amansar burros para o transporte de carga. Tempos depois, como profeta Gentileza, se dizia "amansador dos burros homens da cidade que não tinham esclarecimento".
Quando José completou 13 anos começou a ter algumas premonições sobre suas missões na Terra e isso acabou gerando certo desconforto em sua família que começou a desconfiar que ele estava tendo algum problema mental.
Em 1961, exatamente no dia 17 de Dezembro, ocorreu uma verdadeira tragédia em Niterói no Circo "Gran Circus Norte-Americano" que infelizmente gerou a morte de 500 pessoas causada por um incêndio. Essa foi uma das maiores fatalidades no Brasil e teve repercussão em todo o mundo.
Dois dias antes do Natal de 1961 (6 dias após o incêndio) José Datrino acordou durante a madrugada alegando ter ouvido "vozes astrais" que pediam para que ele abandonasse o mundo material e se dedicasse exclusivamente ao mundo espiritual. A partir desse dia o Profeta pegou seu caminhão e se dirigiu ao local do incêndio, plantou jardim e horta sobre as cinzas do circo que um dia levou tantas alegrias as pessoas. Lá permaneceu durante 4 anos de sua vida. José durante esse período levou conforto e carinho a muitas famílias das vítimas do incêndio. Daquele dia em diante passou a ser chamado de "Profeta Gentileza".
Depois de deixar o local, "Gentileza" começou sua jornada pelas ruas da cidade do Rio de Janeiro na década de 1970. Fazia suas pregações em trens, ônibus e praças públicas, sempre levando palavras de conforto e bondade as pessoas. Gentileza pregava também o respeito ao próximo e pela natureza. Alguns o chamavam de louco e ele sempre respondia: - "Sou maluco para te amar e louco para te salvar".
A partir da década de 1980 começou a escrever diversas frases e poemas em 56 pilastras do viaduto do Caju, que vai do Cemitério do Caju até a Rodoviária Novo Rio. Ali deixou sua marca eterna para que todos pudessem ler.
Gentileza faleceu em 28 de maio de 1996.
Segundo meu Dono, há controvérsias. E o Profeta Gentileza teria mais mistérios do que essa história faz parecer, mas eu, uma apreciadora, entusiasta, praticante e entendedora da gentileza como a salvação das relações humanas em um mundo cada dia mais árido, só posso me encantar com a história, seja ela qual for, a ponto de contá-la aqui para vocês, queridos leitores e amigos, sem esquecer que ela foi-me contada por meu amado Dono que tem sempre algo a me ensinar, não importa em que situação porque no fim de tudo o que importa mesmo é o legado, a palavra de um homem simples que pregava gentileza e amor e sua obra que ficou imortalizada tendo sido inclusive restaurada mais de uma vez...
Muitos a conhecem, principalmente os cariocas, mas fica o registro de mais um dos nossos passeios. Este, sem aventuras exibicionistas, mas com muita gentileza.











