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domingo, 12 de junho de 2016

Ao fim da espera - parte II - A surpresa

A Cerimônia das Rosas

Ela nada conseguiu responder, tudo que fez foi emitir outro suspiro. 
A espera, a expectativa daquele momento e os medos que a tomavam, além da excitação, apertavam sua garganta na mesma medida em que a arrepiavam de alto a baixo.


Segurando sua cabeça por trás ele tocou-lhe o queixo, levantando-a, e beijou sua testa. Em seguida passeou por todo seu corpo com as pontas dos dedos, arrancando-lhe suspiros e fazendo toda a pele arrepiar-se enquanto o corpo queimava de excitação. Ao tocar-lhe as partes íntimas confirmou o que já sabia, ela estava úmida e pôde ouvir o suspiro dele desta vez, que colocou os dedos em sua boca para que sentisse o próprio gosto.


Ela ia tendo sensações indescritíveis diante da privação do sentido da visão mas ainda estava ansiosa sobre o que viria depois... um castigo? Não se lembrava de ter feito por merecer...


Em seguida ele tirou-lhe a venda e acendeu uma luz que ela identificou como fraca, antes de perceber que eram luzes de velas que ele ia acendendo para iluminar o ambiente dando à sala uma atmosfera de magia entre os móveis antigos e a iluminação.
Emocionou-se ao começar a identificar para o que aquele local fora preparado: havia, numa mesa de canto e dispostas nela, uma rosa branca semi-aberta, uma rosa vermelha um pouco mais aberta que a branca e ao lado um belo vaso, sem flores.



Mal podia acreditar no que estava acontecendo... Ele estava preparando a Cerimônia das Rosas!
A Cerimônia das Rosas é realizada por um casal D/s que opta por permanecer juntos e esta é a declaração simbólica de seu compromisso.

A rosa branca ainda não aberta, simboliza a submissão. A cor branca representa a pureza de seu presente, e o fato de ainda não ter aberto, que a submissão ainda não atingiu seu complemento. E nunca vai. A submissão pode ir sempre mais fundo, sempre crescendo e a submissa nunca vai chegar em um ponto em que não possa dar mais um pouco a seu Dominador.


A rosa vermelha, quase totalmente aberta, significa a Dominação. O vermelho significa a paixão e desejo dele de protegê-la e possui-la a qualquer preço, mesmo que para isso ele tenha que derramar o seu sangue. A rosa esta aberta simbolizando o fato dele estar maduro e pronto para assumir suas responsabilidades.


Ele gentilmente pegou-a pela mão e levou-a até a porta e só então ela percebeu que uma passadeira fazia o caminho entre a porta e a mesa. Entregou a ela com cuidado a rosa branca pois continha espinhos no caule, segurou a vermelha e juntos caminharam em silêncio até a mesa, onde ficaram de frente um para o outro.


Ela tremia como uma noiva no altar. Era muita emoção nessa surpresa totalmente inesperada.
Somente o casal participa da cerimônia. Ela carrega a rosa branca, não muito aberta. Ele carrega ua rosa vermelha, quase totalmente aberta. Ambas as rosas têm espinhos em seus caules e foram colhidas há pouco tempo, como dita a liturgia da cerimônia.

Ele, então, diz: "Minha escrava, a partir desse momento tomo seu destino em minhas mãos, para sempre protegê-la e guiá-la como minha propriedade, minha joia preciosa".

Com o espinho de sua rosa vermelha ele pica o dedo do meio dela e deixa duas gotas de sangue cairem sobre sua rosa branca. Ela então oferece o espinho de sua rosa e ele fura seu próprio dedo e deixa duas gotas de seu sangue cairem sobre a rosa branca.


Uma em outra pétala e outra em cima da que contem o sangue dela. Os dois unem então os dedos e fazem sua promessa de união pelo sangue. "Faço desse ato o símbolo de nossa união e que nesse momento toda a energia de nossos corpos se unam, fazendo eterno nosso Amor".


As rosas são colocadas juntas deixando que o sangue da dela beije a rosa dele, e então são trocadas. As rosas irão para um único vaso e mais tarde ao quarto do casal onde poderão contemplar sua união durante aquela noite.


Depois dividem seus sonhos e expectativas enquanto arrancam as pétalas e acondicionam juntas em uma caixa. Estas pétalas são mantidas pelo resto de suas vidas e, muitas vezes enterradas com eles.



 Após todas essas vibrantes emoções, partiram para o leito, onde uma noite inteira de delícias estava apenas começando...
Ela jamais teria ousado sonhar com tal surpresa e este é um dos temperos mais sublimes da submissão, a surpresa, aquilo que recebemos sem nada pedir ou esperar acabam por transformar-se em presentes mais valiosos que qualquer tesouro.



{Λїta}_ST


* A Cerimônia das Rosas faz parte da liturgia BDSM e pode ser consultada no Reino de Ka






segunda-feira, 6 de junho de 2016

Ao fim da espera


Ela estava chegando ao local combinado. Ele nada dissera a não ser que estivesse lá na hora marcada às oito da noite em ponto.
A rua era um tanto deserta e ela, por isso, teve certo receio e a sensação de estar sendo observada. Chegou mesmo a sentir um certo arrepio que sabia claramente não ser de frio.


Apesar de tudo isso a excitação tomava conta de seu ser. Inteiro.
"O que ele estaria preparando?"
Um carro parou no meio fio em frente a ela. Um táxi. O motorista fez sinal que entrasse e ela resistiu mas a menção da palavra "Boss" era o código para que confiasse e fosse a qualquer lugar com aquele homem.


Rodaram por meia hora e ela estava muito nervosa e excitada para prestar atenção no caminho.
Pararam em frente a uma casa e, depois de ouvir que a corrida estava paga e saber pela voz do motorista que praticamente não abrira a boca durante o trajeto, que deveria entrar.
Olhou a grade antiga que rodeava a casa, abriu o pesado portão de ferro e entrou, olhando as roseiras meio mal cuidadas que deveriam enfeitar o pequeno espaço entre o portão e a porta da casa.


Bateu na porta e esperou. Como não obtivesse resposta, girou a maçaneta por saber que deveria entrar, disso estava avisada.
A sala estava vazia, e na penumbra, já que a iluminação vinha apenas do poste na rua, conseguiu visualizar móveis meio antigos, pesados... a casa certamente era antiga e pertencera a pessoas mais idosas porque, no momento, parecia não ter moradores.
Não pode perder muito tempo com observações, sabia que devia seguir suas ordens para casos assim. Tirou cuidadosamente toda a roupa, colocou a coleira no pescoço, a venda nos olhos e sentou no meio da sala, em nadu, a posição que ele gostava de encontrá-la quando chegava.


A partir disso ela ficava sempre tensa, um dos sentidos privados, a visão, a deixava em alerta, nervosa. Indefesa, por estar nua mas totalmente à espera dele sentada em nadu.
Nesse instante pressentiu um movimento, depois disso um cheiro impregnou o ar... o perfume dele combinado ao cheiro característico do corpo que criavam uma mistura embriagante.


Suas narinas se abriram como as de uma cadela farejando o Dono.
À medida que sentia a aproximação dele, arrepiava. O toque, muito de leve em sua nuca a fez sobressaltar-se e retesar-se inteira. Mas, nesse momento, sentiu que estava molhada.
Como ele conseguia isso sem nem mesmo tocá-la?
Sem querer, suspirou com esse pensamento, um suspiro de resignação, talvez, por sua incapacidade em resistir a ele.
E, finalmente, o ouviu:
_ Por que o suspiro, minha cadela?


O simples som da voz dele a fez quase desfalecer. Ele chegara e agora sim se revelaria o motivo para ela estar ali; servi-lo. 
Por isto esperara. Para isto se cuidara. Para isto, nesse momento - pensava - existia.

(Continua)...


{Λїta}_ST 


quinta-feira, 12 de maio de 2016

Continho II...



Sentada no chão frio, presa pelas algemas, no canto da parede, a mordaça a impedir-lhe a fala e fazendo com que a saliva escorresse da boca para os seios desnudos e deslizasse pelo corpo, ela pensava em como chegara até ali, enquanto o casal, na cama, emitia gemidos de prazer.


Lutava para não olhar mas algo mais forte que ela não deixava que desviasse os olhos do casal.
As correntes apertavam-lhe o corpo, a posição era tremendamente incômoda,  o piso frio e duro deixava-lhe as nádegas doloridas . A boca, muito aberta pela ball gag fazia com que seus maxilares doessem mas nada poderia doer mais que a humilhação. E não a humilhação imposta por ELE, mas pela vergonha de ter errado tanto a ponto de estar naquela situação. Culpava-se por isso. Por ter sido levada àquele motel no banco de trás do carro, como um objeto. Por ser levada a testemunhar, sem participar, daquele ato.


Sua intempestiva crise de ciúmes a levara àquela situação que, no fim, fora desejada por ela mesma. Era preciso expurgar sua culpa e sua vergonha e só um castigo desta natureza poderia tirar-lhe esse peso.
Resistia bravamente observando o casal que se deliciava um com o outro, entre tapas e beijos, carícias, gemidos, gritos de prazer. A visão, de onde ela estava, era limitada. Do chão não podia ver os corpos em sua totalidade em cima da cama mas o que via e ouvia era o suficiente. E o mais revelador e chocante: ela estava molhada. Sim, estava tremendamente excitada com a situação. Sua umidade já molhava o chão fazendo com que praticamente escorregasse em sua própria excitação.


Totalmente imóvel para não se machucar nas cordas que a prendiam, movia apenas o pescoço a fim de acompanhar os movimentos do par que, envolvidos um com o outro, ignoravam sua presença.
Vez ou outra uma lágrima escorria e ela não saberia dizer se de dor ou de uma certa euforia insana por estar participando daquilo que há algum tempo atrás consideraria loucura.
No entanto, naquele momento perdia-se entre sentimentos de dor e excitação que provocavam uma euforia difícil de explicar, caso tivesse que fazê-lo.


Esqueceu-se de quanto tempo ficou ali, entre observar o casal, excitar-se com isso e lembrar-se da situação que a levara até ali, sua crise de ciúmes, sua falta de respeito cobrando a ELE o que não lhe devia, usando palavras duras e acusadoras... e depois o pedido de perdão, a recusa dELE e a proposta, dela mesma, para consertar tudo passando por um castigo realmente difícil a fim provar sua lealdade, seu respeito e que sua obediência continuava intacta, que ainda era digna de continuar a servi-lo.
A ideia fora quase sua. O objeto do castigo: justamente aquela de quem ela tivera ciúmes. O que poderia ser mais contundente e libertador?



Um gemido mais alto tirou-a de seus devaneios, as respirações tornaram-se mais ofegantes, os gemidos mais altos e sensuais, estavam chegando ao final e um arrepio percorreu-lhe o corpo... o que ELE faria com ela depois de tudo?
O silêncio e os suspiros que se seguiram deram a certeza que o ato havia terminado. Ela não sabia se sentia alívio ou medo, afinal, seu destino estava incerto. Errara e estava sendo castigada mas ELE lhe devolveria a coleira? Permitiria que continuasse servindo-o?

A mulher levantou-se da cama e passou por ela sem olhá-la, em direção ao banheiro. ELE levantou-se lentamente da cama e caminhou em sua direção. Segurava o membro, tirando o preservativo e aproximando-se dela, tirou-lhe a mordaça com umas das mãos e oferecendo o pênis com a outra, disse-lhe: "Limpe. Limpe seu Dono".
A menção da palavra Dono encheu-a de alegria e esperança. Limpou, com toda destreza de que era capaz, usando a língua e os lábios, os restos daquele ato. Uma tristeza percorreu seus olhos quando lembrou que os restos que lambia poderiam ter sido seus... mas, disposta a redimir-se, não se deteria por muito tempo nessa tristeza, esmerando-se em fazer o trabalho ordenado e dar a ELE algum prazer, mesmo que talvez já não houvesse mais espaço naquele momento.
As mãos continuavam amarradas de forma que só sua boca trabalhava suavemente, demonstrando toda sua devoção e cuidado em limpá-lo, mas também toda a lascívia de que era capaz.


Para sua satisfação, conseguiu o que era para ela inesperado; ele voltou a excitar-se ficando totalmente ereto dentro de sua boca e depois de algumas estocadas que tanto a engasgavam quanto enchiam de prazer, inundou-lhe do líquido precioso que ela tanto quisera. Um prêmio, por ter suportado bravamente seu castigo.
Em seguida, ele segurou-a pelo queixo e disse-lhe: "Meu bichinho, foi preciso. Aprenda que é única para mim e sei disso, não preciso ser lembrado, não preciso ser cobrado e não quero que aconteça. Nunca mais. Parabéns por ter suportado o castigo, hoje você cresceu grandiosamente a meus olhos enquanto minha serva e seu lugar no meu coração e a meus pés, ninguém tira. E sei que no fundo se excitou, te conheço e sei o quanto está molhada mas não vou te dar o que quer, não hoje. É preciso que seu castigo cumpra seu ciclo. Agora você vai se vestir, ir embora e esperar até que eu a procure."
Ela foi, de coração leve e com um sorriso nos lábios, sonhando com o dia que estaria novamente aos pés dELE.





  {Λїtą}_ŞT 





quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Continho

A moça vinha pela calçada em seu vestidinho preto. Alegremente graciosa. Graciosamente alegre.
Entrou no carro pela porta da frente e, cúmplice da surpresa, O beijou.
Depois do beijo o carro pôs-se em movimento, levando-os. Vozes, risos, lembranças de outros tempos, alegrias novas e passadas. 
Ele, ela e a moça.



E assim, chegaram. E foram roupas espalhadas, bocas, risos, corpos, gemidos, suores, gozos... e de repente, ela não cabia mais naquela cama.
Saiu dela, como a alma sai do corpo durante o sono.
Ele e a moça graciosa continuavam a dança sensual de bocas coladas, cabelos em desalinho, corpos suados e gemidos que não cortavam só o ar. Os beijos longos, intermináveis, dolorosamente intermináveis. O tempo, que parecia ter-se agarrado naqueles beijos, não queria mais passar...




Ela tentou voltar à cama, não conseguiu. Não havia ali espaço que lhe coubesse entre os dois corpos colados. Fizeram-se dois mundos. O deles e o dela. Restou seu próprio corpo solto no espaço, sem saber onde pousar. E o olhar quase perplexo para os dois seres em seu movimento. O movimento só deles.



Em meio à dança frenética, Ele a olhou. Ela devolveu o que deveria ser um sorriso.  E, ao entender o que a tirou daquela cama, percebeu que não merecia estar ali.
E guardou consigo a dor.


{Λїtą}_ŞT


*As fotos desta postagem foram colhidas na Internet, sem identificação de autoria.
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