Quando Setembro Chegar
Ludmila Guarçoni
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| As flores de setembro enfeitando o dia |
Quando setembro chegar o inverno terá acabado e o amanhecer virá me acordar, apressado.
Não mais haverá folhas secas caídas ao chão, pois as cores, antes tímidas, voltarão em puro êxtase, bailando num festival deliciosamente provocante.
Quando setembro chegar o sol estará pleno, iluminando os mares do meu mundo.
Uma brisa suave teimará em bater de leve em meu rosto, desajeitando meus cabelos úmidos e pesados.
Um aroma antigo se fará presente, trazendo consigo a quietude do meu ser.
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| Aromas e gostos: festa dos sentidos |
Quando setembro chegar serei embalada por uma música e por alguns instantes deixarei de respirar.
Em órbita, minha razão terá sido arrancada de mim por algo que não pretendo explicar.
Teremos tempestade. Ventania. Um doce fechar de olhos. Um meio sorriso preso nos lábios.
Quando setembro chegar correrei ao encontro dos sentidos. Ao abrir uma janela descobriria um novo cheiro, ao escancarar uma porta um novo gosto. Na intimidade de um toque, desvendaria um olhar.
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| Todos os prazeres são permitidos |
Uma onda de felicidade atingirá todo meu corpo.
Alegria em forma de espuma nos pés, contentamento em forma de grãos de areia nas mãos. Não haverá nuvens no meu céu.
Quando setembro chegar eu serei todas as estações do ano…
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| Um brinde... e a melhor das bebidas derrama-se em mim |
Junto com ele, o nosso aniversário.
Às vezes é difícil acreditar que todos esses anos se passaram mas basta começar a pensar em tudo que vivemos e a dimensão desse tempo torna-se palpável.
E assim chegou, enfim, o dia da comemoração do nosso aniversario de oito anos!
Aos quarenta e quatro minutos do segundo tempo, com o mês já chegando ao fim e muita angústia da escrava por achar que a comemoração não ia mais acontecer.
Mas o Dono estava focado, nunca deixou de comemorar a data e, apesar de os planos anteriores terem sucumbido aos compromissos de trabalho e a vários outros contratempos, finalmente Ele chegou, lindo e loiro - literalmente - para a comemoração que foi, como ele mesmo disse, emblemática.
Nada das viagens e das produções planejadas. Um encontro, um passeio a um local repleto de recordações nossas, todas lindamente relembradas e descritas por ele, para total felicidade da escrava que o ouvia, embevecida.
| A escrava em seu lugar: aos pés do Dono |
Sim, oito anos de uma história não se comemora apenas dentro do quarto com uma sessão.
E assim, do passeio cheio de lembranças passamos para a intimidade que me abstenho de contar, mas ainda tão cheia de encantamento que prefiro guardar só para nós, deixando apenas algumas imagens dos raros momentos em que as mãos estavam desocupadas e em que a câmera foi lembrada porque, definitivamente, ela não era o mais importante.
| O beijo de agradecimento; obrigada pelos 8 anos a seus pés, senhor! |
































